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Proibido de entrar na Câmara, deputado assistiu em casa à escolha do novo presidente, mas se articulou pela eleição de Rogério Rosso; apesar do esforço, Rodrigo Maia saiu vitorioso

Afastado e proibido de entrar na Câmara, Cunha acompanhou de casa a escolha do sucessor
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Afastado e proibido de entrar na Câmara, Cunha acompanhou de casa a escolha do sucessor


Na noite desta quarta-feira (13), a Câmara dos Deputados escolheu seu novo presidente – Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito  com 285 votos no segundo turno. Único parlamentar impedido de votar, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acompanhou de casa a escolha de seu sucessor. Seu nome, no entanto, foi um dos mais citados na sessão.

Apesar dos deputados Rodrigo Maia e Rogério Rosso disputarem os votos pela presidência da Casa, a verdadeira batalha travada na sessão desta quarta-feira era a do ex-presidente Eduardo Cunha , que tentava não ter seu mandato cassado no conselho de Ética .

A escolha do novo líder interfere na forma como será conduzido o processo de afastamento. Tanto Maia quanto Rosso são figuras próximas ao deputado afastado. O candidato do DEM, porém, preferiu desvincular sua imagem de Cunha nos meses que antecederam a votação apesar de já ter sido beneficiado por essa relação.

Maia foi nomeado presidente da Comissão Especial da Reforma Política quando Eduardo Cunha destituiu o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) da relatoria do caso, o deputado do DEM se tornou relator de plenário da Comissão.

O afastamento entre Maia e Cunha começou a ser notado quando o ex-presidente da Câmara indicou André Moura  (PSC-CE) para ser o novo líder do governo da Casa, logo após Michel Temer tomar posse como presidente interino.

Rogério Rosso e Rodrigo Maia: segundo turno sem Marcelo Castro deixou Planalto satisfeito
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 14.7.16
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Mensagens

Entre a abertura da sessão e o início da votação, Eduardo Cunha se articulava para evitar a eleição de Rodrigo Maia – segundo parlamentares, ele telefonava e enviava mensagens por WhatsApp pedindo votos para Rogério Rosso.

Nessas conversas, ele fazia questão de lembrar a cada deputado os agrados e benefícios concedidos durante sua gestão e insistia que Rosso era o único candidato capaz de salvá-lo da cassação.

Rodrigo Maia diz que não vai definir prazo para votar cassação de Eduardo Cunha

Conhecido por ter surgido do chamado “baixo clero” da Câmara, Rogério Rosso recebeu aval do Planalto para sair candidato à presidência da Câmara. O governo, no entanto, deixou claro que o melhor para Temer seria a derrota de Rosso e, consequentemente, o fim da atuação de Cunha – que segue poderoso sobre parlamentares da Câmara.

Pouco antes de ser afastado, o peemedebista elegeu os presidentes das comissões Mista de Orçamento, Arthur Lira (PP-AL), e Constituição e Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), além do líder do governo na Casa, André Moura (PSC-SE). "O fantasma Eduardo Cunha seguirá sondando isso aqui por muito tempo", disse na tribuna a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP).

*Com informações do Estadão Conteúdo

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