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Sessão desta quinta-feira (23) teve início sem a presença da senadora Gleisi Hoffman, casada com ex-ministro detido pela PF e grande responsável pela defesa do mandato da petista

Dilma pode perder apoio na comissão do impeachment ao ter senadora de defesa na mira da PF
Thiago Bernardes/Framephoto/Estadão Conteúdo
Dilma pode perder apoio na comissão do impeachment ao ter senadora de defesa na mira da PF


A prisão preventiva do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo trouxe ainda mais preocupação ao núcleo político ligado à presidente afastada Dilma Rousseff. Ele é casado com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que integra a tropa de choque de Dilma na comissão que discute seu afastamento. A sessão desta quinta-feira no Senado Federal teve início sem a presença de Gleisi, uma das mais atuantes na defesa do mandato de Dilma no Senado. 

Apesar de assessores da presidente eleita afirmarem que Paulo Bernardo, ex-ministro da dos governos Dilma e Lula, não estava próximo a ela nos últimos meses, este não é o caso da sua mulher, Gleisi, que mantém contato direto com a petista.

Além da prisão de Bernardo, a condução coercitiva do ex-ministro da Previdência Carlos Gabas também pode ser considerada um problema pela proximidade que mantém com a petista. Gabas, inclusive, foi atendido pela comissão de ética da Presidência da República e está sob período de quarentena – ou seja, permanecerá afastado de funções públicas pelos próximos seis meses.

Vale lembrar que, em agosto de 2013, a presidente Dilma Rousseff driblou a segurança e saiu pelas ruas de Brasília como "carona" na moto Harley Davidson de Carlos Gabas, de onde chegou a ser fotografada.

A preocupação não se limita a Dilma, mas também a Lula. Assessores da presidente eleita lembram que este é mais um baque para o petista, já que Paulo Bernardo é muito ligado a ele e ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que está preso pela Operação Lava Jato.

Outro problema que pode causar dor de cabeça aos petistas são os reflexos desta nova prisão sobre as eleições municipais, já que Paulo Bernardo é uma importante liderança dentro do partido, que já vem encontrando dificuldades em vários Estados.

Gleisi Hoffmannão compareceu à sessão desta quinta-feira para discutir impeachment no Senado
Geraldo Magela/ Agência Senado
Gleisi Hoffmannão compareceu à sessão desta quinta-feira para discutir impeachment no Senado


Impeachment

Ao falar sobre o enfraquecimento da defesa de Dilma na comissão do Senado, um dos interlocutores de Dilma reconheceu que os acontecimentos deixam a defesa dela sem argumento, ou pelo menos atrapalha bastante os seus planos.

Gleisi e a tropa de choque de Dilma acusam reiteradamente o presidente em exercício, Michel Temer, e sua equipe em função dos desdobramentos Operação Lava Jato, que está direcionada para o PMDB e rendeu três baixas ao governo peemedebista. Com a operação desta quinta-feira (23), o argumento dos petistas, mirando nos peemedebistas, acaba abatido e caindo por terra.

Planalto

Já no Palácio do Planalto, a prisão preventiva de Paulo Bernardo vem como um alívio para os peemedebistas porque tira um pouco do PMDB do foco. O partido estava sob alvo da PF no último mês, o que vinha atrapalhando a tentativa de Temer de sustentar uma agenda positiva para emplacar o seu governo.

Prisão foi alívio para Temer, que via caciques do PMDB no foco na Operação Lava Jato
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 20.06.2016
Prisão foi alívio para Temer, que via caciques do PMDB no foco na Operação Lava Jato

A prisão de Bernardo, que não é provisória, mas preventiva – ressalta um dos interlocutores de Temer – veio em um importante momento no qual os peemedebistas têm conseguido vitórias em votações no Congresso e precisam consolidar os votos na comissão do impeachment.

Temer precisa de 54 votos. Nas contas do Planalto, a base possui entre 58 e 60 votos. Mas a margem é considerada muito estreita e este é um dos motivos do empenho pessoal do presidente em exercício, que destina diariamente boa parte de sua agenda a receber parlamentares e manter interlocução direta com senadores em busca de garantir os votos.

Na última terça-feira (21), por exemplo, Temer foi à festa Junina na casa do senador Zezé Perrela (PTB-MG), lembrando que ali estariam presentes pelo menos 60 senadores. "Esse trabalho tem de ser construído todos os dias", insiste Temer.

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