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Preso pela PF na manhã desta quinta-feira, ex-ministro do Planejamento comandou esquema de desvio de dinheiro que beneficiava PT; valor foi calculado pela Operação Custo Brasil

O ministro Paulo Bernardo foi preso pela Operação Custo Brasil na manhã desta quinta-feira (23)
Agência Brasil
O ministro Paulo Bernardo foi preso pela Operação Custo Brasil na manhã desta quinta-feira (23)


Os desvios apurados pela Operação Custo Brasil chegaram a mais de R$ 100 milhões entre os anos de 2010 e 2015, segundo informou nesta quinta-feira (23) a Polícia Federal, em entrevista coletiva.

A fraude ocorreu no âmbito do Ministério do Planejamento por meio do gerenciamento e controle do sistema de crédito consignado para servidores e envolveu o ex-ministro da pasta Paulo Bernardo, preso na manhã desta quinta-feira, bem como pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo com o delegado da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo de Campos Costa, a empresa Consist Software foi contratada em 2009 para gerenciar o sistema de crédito consignado para servidores públicos federais. "O custo seria de R$ 0,30 por operação, mas a Consist cobrava cerca de R$ 1,00", explicou Costa, informando que esse valor extra era dividido entre os operadores do esquema.

De acordo com a Polícia Federal, a Consist foi contratada pela intervenção do ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, cuja residência foi alvo de busca e apreensão logo no início da manhã. Paulo Ferreira, tesoureiro do PT entre 2005 e 2010 e alvo da operação da PF, atuou pela contratação da empresa junto com João Vaccari Neto.

Da quantia total destinada por propina à Consist, os valores eram distribuídos entre diversas empresas de fachada que faziam contratos fictícios e repassavam o dinheiro para políticos e funcionários do Ministério do Planejamento.

De acordo com a Polícia Federal, cerca de 20% do valor ficava com o Partido dos Trabalhadores, por meio de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da sigla. Cerca de 10% era direcionado a um escritório de advocacia ligado ao ex-ministro Paulo Bernardo. "As evidências apontam que este escritório recebia os valores e ficava com 20%. Os 80% restantes iriam para Paulo Bernardo", afirmou Costa.

Delegado da PF em São Paulo, Rodrigo de Campos Costa, fala sobre Operação Custo Brasil
ELIANE NEVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 23.06.2016
Delegado da PF em São Paulo, Rodrigo de Campos Costa, fala sobre Operação Custo Brasil


Custo Brasil

De acordo com o superintendente regional da Receita Federal em São Paulo, Fabio Ejchel, o nome da operação se deve ao "aumento de custos" aos servidores públicos. "Isso prejudica a população. A corrupção é irmã gêmea da sonegação. A atuação conjunta dos órgãos é fundamental", destacou.

O procurador da República Andrey Borges, que participa da força-tarefa da Operação, destacou o trabalho em conjunto da própria procuradoria, da PF e da Receita Federal. "Não é só Curitiba que faz investigações, mas esta é uma meta de todas as instituições aqui presentes. As investigações vão continuar onde quer que seja", disse.

O inquérito policial foi instaurado em dezembro de 2015, após a decisão do Supremo Tribunal Federal para que a documentação arrecadada na 18ª fase da Lava Jato, conhecida como “Pixuleco 2”, fosse encaminhada para investigação em São Paulo.