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Procurador-geral da República é alvo de dez pedidos de impedimento no Senado, que já arquivou quatro denúncias

Agência Brasil

Renan afirma que análise dos pedidos de impeachment não é chantagem contra Janot
Jefferson Rudy/Agência Senado 15.06.2016
Renan afirma que análise dos pedidos de impeachment não é chantagem contra Janot

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), classificou de “inusitados” a chegada ao Senado de novos pedidos de impeachment contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um novo pedido foi protocolado na Casa nesta terça-feira (21). Já são dez as solicitações de impedimento do procurador-geral, duas delas apresentadas neste mês. Quatro foram arquivadas por Renan.

O último pedido apresentado é assinado por Gustavo Haddad, morador de São José dos Campos (SP). De acordo com o autor, o procurador-geral da República descumpriu suas prerrogativas ao pedir a prisão de Renan pela suspeita de que ele estaria agindo para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.

No texto, Haddad alega que “o procurador-geral da República vem, contrariamente à literalidade do texto constitucional, exercendo atos claramente voltados a intimidar o Senado Federal. É absolutamente inconcebíbel que possa – mais ainda pela razões absolutamente pífias invocadas – pedir a prisão de senadores, especialmente o presidente da Casa”.

Novo pedido de impeachment de Rodrigo Janot foi protocolado no Senado nessa terça-feira (21)
Fellipe Sampaio/SCO/STF - 11.03.2015
Novo pedido de impeachment de Rodrigo Janot foi protocolado no Senado nessa terça-feira (21)

“O inusitado é que estão chegando outros pedidos. Do ponto de vista do Senado, que não faz parte da crise, o Senado é a solução para a crise. Vamos ter total responsabilidade com isso e não vamos disbordar de nosso papel constitucional”, disse Renan Calheiros.

Renan afirmou também que enviou para análise da advocacia da Casa o pedido protocolado semana passada e aditado na segunda-feira (20). O pedido aditado foi apresentado por duas advogadas, sob a alegação de que Janot deu tratamento diferenciado no episódio em que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão de Renan, do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP).

As advogadas, ligadas a entidades que defendem o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, argumentam que Janot também deveria ter pedido ao STF a prisão de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposta tentativa de obstrução às investigações da Operação Lava Jato, quando a petista enviou um termo de posse para o "padrinho político" chefiar a Casa Civil.

Renan reiterou que a análise dos pedidos de impechament não se trata de “chantagem”. “Não sou de fazer chantagem, absolutamente. Quem convive comigo sabe disso. Apenas dei uma informação e mandei para a advocacia em função do aditamento”, acrescentou.

Pauta
O presidente do Senado disse que espera concluir nesta quarta-feira (22) a votação do Supersimples. “Vamos concluir hoje a votação do Supersimples, que é uma matéria muito importante para retomar o crescimento da economia. Depois da renegociação das dívidas dos estados, essa matéria talvez seja a mais importante e nós vamos fazer tudo pra concluí-la mais tarde”, afirmou.

A atualização das regras para o enquadramento das empresas no Supersimples foi aprovada nesta terça-feira (21), por unanimidade, em primeira votação, com 65 votos a favor. Nesta quarta-feira, será submetido a turno extra de votação. Se aprovado, o texto retorna à Câmara, já que passou por modificações no Senado.

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