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Eduardo Cunha disse também que esta "absolutamente convicto" de que não mentiu à CPI da Petrobras em 2015 quando disse que não possui contas não declaradas o exterior

Estadão Conteúdo

Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante coletiva
André Dusek/Estadão Conteúdo - 21.06.16
Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante coletiva

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta terça-feira (21) que o principal motivo para ter convocado uma entrevista coletiva para esta manhã foi para dar suas versões dos fatos sobre as acusações das quais é alvo. O peemedebista disse que decidiu voltar "com regularidade" a dar entrevistas, pois há um "nítido cerceamento de defesa" que o tem prejudicado.

Cunha lembrou que, desde 19 de maio, quando prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara, não dava entrevistas públicas, limitando-se a emitir notas ou se pronunciar pelas redes sociais sobre os fatos. "Isso, de certa forma, tem prejudicado e muito não só minha versão de fatos e defesa, como também a comunicação. Por isso, decidi voltar com regularidade a prestar satisfações eu mesmo, me expor ao debate", disse.

Na avaliação dele, "há um nítido cerceamento de defesa em vários pontos, e a falta de comunicação é um deles". Cunha, que chegou sozinho à sala do hotel em Brasília onde a entrevista coletiva é realizada, também segue sozinho na mesa de onde fala para a imprensa. Nenhum de seus aliados foi visto no local.

Governo sofreu derrotas constantes e ficou fraco com Lava Jato

O presidente afastado da Câmara dos Deputados usou a coletiva para criticar o governo da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, desde o início do mandato, a administração petista já demonstrava fraqueza.

O peemedebista afirmou que, apesar da "guerra enorme do governo" contra sua candidatura à presidente da Câmara, um sentimento contrário ao PT o ajudou a se eleger para o comando da Casa. Cunha lembrou que o candidato petista que disputou com ele, Arlindo Chignaglia (SP), teve praticamente o mesmo número de votos que Dilma teve para tentar barrar o impeachment. O parlamentar petista foi derrotado por Cunha por 267 votos a 136. Já o impeachment de Dilma foi aprovado pela Câmara por 367 votos a 137.

O presidente afastado da Câmara afirmou que dados como esse mostram que o governo Dilma não tinha maioria e, por isso, acabou sofrendo derrotas no Parlamento. "E foi ficando cada vez mais fraco com a (Operação) Lava Jato", afirmou o peemedebista.

CPI da Petrobras

Cunha disse também que esta "absolutamente convicto" de que não mentiu à CPI da Petrobras em 2015 quando disse que não possui contas não declaradas o exterior. A possível mentira foi justamente o que embasou o pedido de cassação do peemedebista, apresentado pelo PSOL e Rede no Conselho de Ética da Câmara.

"Estou absolutamente convicto de que não menti", afirmou Cunha. Apesar das provas apresentadas pelo Ministério Público Suíço e pelo Banco Central brasileiro, o peemedebista disse que não há comprovações de que ele tinha contas secretas que movimentava fora do País. "Eu ter conta na literalidade da conta, não há comprovação disso, não tem como comprovar", disse.

O presidente afastado da Câmara disse que, na CPI da Petrobras, nenhum dos parlamentares o questionou se sua esposa, a jornalista Cláudia Cruz, possuía contas no exterior. "Ela detinha sim conta, dentro do padrão do Banco Central e não tinha obrigação de declarar", afirmou. Ele ressaltou ainda que não estava sob juramento na comissão e que não se furtou a responder qualquer pergunta.

Eduardo Cunha mostra passaportes no conselho de ética da Câmara dos Deputados
Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados - 19.05.16
Eduardo Cunha mostra passaportes no conselho de ética da Câmara dos Deputados

Votação no Conselho de Ética é nula

Cunha afirmou que a votação do parecer pedindo a cassação de seu mandato, realizada na semana passada pelo Conselho de Ética da casa, é nula e terá de ser refeita. Segundo o peemedebista, a aprovação de um requerimento para votação por chamada nominal dos membros do colegiado foi "estranha" e está em desacordo com o Regimento Interno da Câmara.

O presidente afastado  também questionou, mais uma vez, a escolha do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) para ser relator de seu processo no colegiado. De acordo com ele, a relatoria do parlamentar será objeto de recurso dele à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O peemedebista argumenta que Rogério não poderia ter assumido a relatoria, pois passou a fazer parte do mesmo bloco parlamentar de Cunha quando trocou o PDT pelo DEM. "Não acolher isso é rasgar o Código de Ética", afirmou. 

Cunha acusou o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA) de ter usado de "má-fé" desde o início da tramitação de seu processo no colegiado. "Ele sempre errava propositalmente para ter mídia, por ele esse processo durava até 2018", disse.