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Sérgio Machado revelou em delação premiada que valores destinados ao presidente do Senado somam R$ 32 milhões

Estadão Conteúdo

Em nota, presidente do Senado Federal rechaçou acusações:
Jefferson Rudy/Agência Senado 15.06.2016
Em nota, presidente do Senado Federal rechaçou acusações: "Jamais recebi recursos de caixa 2"

Em sua delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirma que pagou propina ao presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) por cerca de dez anos, enquanto presidia a estatal por indicação da cúpula do PMDB. No período, conta, os pagamentos ilícitos ao senador decorrentes do esquema de corrupção na Transpetro somaram R$ 100 milhões ao PMDB, sendo quase um terço disso, R$ 32 milhões, a Renan.

Segundo o delator, que conhece o parlamentar desde 1991, os pagamentos ao presidente do Senado começaram por volta de 2004. Na ocasião, Renan teria dito a Machado em uma reunião na residência oficial do senador que tinha "dificuldades em manter sua estrutura política e perguntou como eu podia ajudar". "Definimos que eu faria repasses de valores ilícitos que iria buscar através dos fornecedores parceiros da Transpetro", relatou Machado.

Ele disse ainda que, no começo, os repasses ao peemedebista eram mais "erráticos" e que a Transpetro ainda tinha pouca capacidade de investimento, gerando, assim, menos propina do que o esperado para Renan e causando um desgaste entre os dois. Com o passar do tempo, segundo Machado, a estatal foi crescendo e os repasses, se estabilizando.

O primeiro pagamento foi de R$ 300 mil, por volta de 2004 ou 2005, e, a partir de então, segundo o delator, eles se reuniam mensal ou bimensalmente para acertar os pagamentos que eram controlados por Machado por meio de um fundo virtual "apurando mensalmente os créditos junto as empresas que tinham contrato com a Transpetro e decidindo os repasses conforme as circunstâncias", explicou o ex-presidente da Transpetro. Para o delator, o acerto dos dois deixava claro desde o começo que os pagamentos a Renan não vinham do bolso de Machado, mas, sim, de empresas que tinham contrato com a estatal.

A partir de 2008, contudo, os repasses teriam se intensificado. "Inicialmente, os repasses para Renan Calheiros eram erráticos, sem periodicidade definida, mas se tomaram anuais em 2008, quando o depoente passa a repassar a Renan cerca de R$ 300 mil por mês durante dez ou 11 meses por ano", segue Machado na delação. Ainda de acordo com ele, nos anos eleitorais o "caixa paralelo" de Renan era acrescido pelas doações oficiais das mesmas empresas.

Machado disse que os repasses foram ficando mais frequentes com o crescimento da estatal
Agência Petrobras
Machado disse que os repasses foram ficando mais frequentes com o crescimento da estatal

Anos eleitorais
O próprio Machado admite que atuava como captador de doações para o PMDB e que nunca tratou de doações eleitorais lícitas, ainda que elas tenham sido oficiais, com as empresas que tinham contrato com a Transpetro, de forma que as doações estavam sempre atreladas aos contratos com a estatal. "Quando era o caso de doações oficiais, o depoente acertava com a empresa o montante e a semana em que iria ser feita e comunicava à empresa para qual partido e político a doação deveria ser feita", diz o delator.

Machado ainda apresentou aos investigadores uma planilha com as doações oficiais que conseguiu para Renan e até mesmo Renan Filho, e disse que estes repasses eram "carimbados" como sendo do parlamentar.

"As doações eram, em geral, feitas formalmente ao Diretório Nacional do PMDB e, em alguns casos, para o Diretório de Alagoas ou até, em certos casos, para outros partidos em Alagoas. Mas sempre 'carimbadas' para Renan Calheiros, consistindo isso no conhecimento que era transmitido aos organismos partidários de que as doações em questão seriam controladas por Renan Calheiros; os demais valores foram pagos mediante entregas de dinheiro em espécie", disse o delator.

Em nota, Renan afirmou que "jamais recebeu recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja". "Todas as doações de campanhas eleitorais ocorreram na forma da lei, com as prestações de contas aprovadas pela Justiça", garantiu o parlamentar, que rechaçou conhecer Felipe Parente ou qualquer um dos filhos de Sérgio Machado.

Renan ainda diz que não indicou Sérgio Machado para a Transpetro e enfatiza "se colocar à disposição para prestar outros depoimentos, caso necessário".