Tamanho do texto

Coordenador da Lava Jato disse ser "possível e até provável" a paralisação da operação; segundo Alexandre de Moraes, governo dá apoio para a investigação "ir a fundo em tudo"

Ministro da Justiça de Temer, Alexandre de Moraes negou ter passado orientações ao chefe da PF
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 02.06.16
Ministro da Justiça de Temer, Alexandre de Moraes negou ter passado orientações ao chefe da PF

O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, ressaltou que o governo está dando apoio para que a Operação Lava Jato continue plenamente os seus trabalhos de investigação e de combate à corrupção no País. "O que eu posso garantir é que todos os esforços são redobrados para que a Operação Lava Jato chegue ao seu melhor resultado e para que possa ir a fundo em tudo", disse.

Nesta segunda-feira (13), o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou entrevista com o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que manifestou ser "possível e até provável" que as investigações da operação acabem. Segundo ele, quem está fazendo conspiração contra as investigações "são pessoas que estão dentre as mais poderosas e influentes da República." O ministro da Justiça, contudo, ressaltou que o governo continuará dando todo o apoio necessário à plena continuidade da Lava Jato.

"Posso garantir a ele [Dallagnol], como a todos os procuradores, bem como a todos os delegados federais que atuam nesse caso e a todos aqueles que no Brasil confiam nessa atuação, que não haverá nenhuma interferência na Operação Lava Jato. Todo apoio à operação tem sido dado", comentou. "Na semana passada, houve reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e estive renovando os prazos daqueles que estão atuando na Lava Jato, perguntado se há mais necessidade de efetivo, de mais recursos", completou.

Perguntado sobre qual orientação específica passou ao diretor-geral da PF sobre a atuação na Lava Jato, o ministro comentou: "Não passei nenhuma orientação em relação à atuação, pois ela vem sendo feita há dois anos de uma forma brilhante." "É a maior operação de combate à corrupção que se fez no Brasil, de maneira inteligente e estratégica, com etapas para que um fato desencadeasse outros fatos, que não perdesse o fio da meada, e chegasse eventualmente à cúpula criminosa. Eu, desde o início, garanto e continuo garantindo total apoio do Ministério para continuar essa belíssima operação", ressaltou.

Sobre as informações relativas de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) teria pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, do ex-presidente da República José Sarney e do deputado federal Eduardo Cunha – todos do PMDB –, o ministro apontou que não poderia se manifestar.

"Eu não posso comentar, porque não li. Eu não sei quais são as medidas. Eu tenho as informações da imprensa e então não vou comentar por dois motivos: porque não tenho informações integrais e porque ainda está sub judice", disse.

O ministro afirmou ainda que a visita que fez na semana passada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi "de cortesia, como é praxe uma autoridade de governo fazer a diversos líderes e instituições, inclusive do Congresso". Ele citou que nenhum assunto foi tratado na ocasião.

Moraes fez as declarações a jornalistas após de participar de reunião em São Paulo com o procurador-geral de Justiça Gianpaolo Poggio Smanio e o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, sobre medidas relativas ao combate ostensivo do governo e dos Estados contra a violência à mulher. "Nosso foco é tolerância zero à violência doméstica e à mulher", comentou o ministro.