Tamanho do texto

Força-tarefa investiga suposto pagamento de propina de US$ 10 milhões a lobista do PMDB em troca de negócio de empresa petroleira portuguesa que causou prejuízo para a Petrobras

Estadão Conteúdo

Eduardo Cunha e mulher são acusados de ter obtido vantagens de desvios na Petrobras
Agência Brasil
Eduardo Cunha e mulher são acusados de ter obtido vantagens de desvios na Petrobras

A força-tarefa da Operação Lava Jato já tem a lista das contas que receberam juntas o valor de propina de US$ 10 milhões, que teria sido paga no negócio de compra de um campo de exploração de petróleo em Benin, na África, em 2011 pela Petrobras. O negócio teria gerado um repasse de US$ 1,5 milhão para o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os valores, repassados por João Augusto Henriques, operador de propinas do PMDB de Cunha, por meio de conta em nome da offshore Acona International Investments, aberta em novembro de 2010 no Banco BSI, em Zurique, na Suíça. A conta foi criada pelo lobista para receber a “comissão”, paga pelo grupo português Lusitanea Petroleum, do empresário Idalécio de Oliveira. Ele vendeu o campo de exploração localizado em Benin para a Petrobras em 2011, por US$ 34 milhões, em um negócio irregular que gerou prejuízos à estatal.

Durante depoimento à Polícia Federal, em setembro de 2015, João Henriques afirmou que abriu a offshore exclusivamente para receber a “taxa de sucesso” e, logo em seguida, providenciou a distribuição para as pessoas que o ajudaram nessa transação. Segundo relatório da Procuradoria, essa não foi a única forma utilizada para maquiar a operação, que também contou com a “simulação de contrato de prestação de serviços”, que justificariam os pagamentos.

O documento produzido foi elaborado com uma relação de contas de offshores que receberam os repasses vindos da Acona após o depósito dos US$ 10 milhões da Lusitania Petroleum. Teriam sido US$ 4,1 milhões para a conta da offshore Sandfield Consulting SA, aberta no Panamá, US$ 2 milhões para a Ample Power Limited, de Hong Kong, e US$ 1,7 milhão para a Stingdale Holdings Inc., entre outras. A Procuradoria-Geral da República (PGR) busca, agora, em acordos de cooperação com outros países dados sobre os beneficiários dessas empresas e, portanto, dos recursos desviados.

Tanto o lobista João Henriques como o empresário português Idalécio de Oliveira se tornaram réus nesta quinta-feira (9) junto com a mulher de Eduardo Cunha, a jornalista Cláudia Cruz, em ação penal proposta pelo juiz Sérgio Moro. O operador do PMDB já está preso, condenado a seis anos e oito meses de prisão por corrupção em outro processo de contrato de navio-sonda feito pela Diretoria Internacional da estatal.

Veja frases polêmicas do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha:

    Leia tudo sobre: Eduardo Cunha