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Crises no governo interino alteram cenário do impeachment, que ainda depende dos rumos da economia e da Lava Jato

BBC

Se convencer três senadores a votarem a seu favor, Dilma retorna ao cargo para o qual foi eleita
André Dusek/Estadão Conteúdo
Se convencer três senadores a votarem a seu favor, Dilma retorna ao cargo para o qual foi eleita


Apenas um mês após o afastamento de Dilma Rousseff, uma sequência de "choques políticos" no governo interino de Michel Temer trouxe à tona a até então improvável possibilidade de retorno da presidente ao poder. A avaliação é da revista norte-americana Time, em reportagem assinada pelo correspondente no Rio de Janeiro Matt Sandy.

O texto enumera o que classifica como "crises" recentes do governo Temer: anúncio do ministério sem mulheres e negros e saída dos ministros Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), além da extinção – e recriação – do Ministério da Cultura.

O impacto mais recente, lembra a Time, foi o pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal contra a cúpula do PMDB: Romero Jucá, Renan Calheiros (presidente do Senado), Eduardo Cunha (presidente afastado da Câmara) e José Sarney (ex-senador e ex-presidente da República). "Os desdobramentos conduzem à sugestão de que Dilma Rouseff talvez sobreviva à votaçaõ final no Senado sobre seu impeachment, atualmente marcado para o começo do mês de agosto, logo depois do início dos Jogos Olímpicos no Rio", afirma a reportagem da publicação norte-americana sobre o Brasil.

A revista consulta analistas políticos brasileiros, que apontam a permanência da instabilidade no país e a ausência de força na liderança de Temer. O sucesso do presidente interino, avalia o texto, dependerá sobretudo da possibilidade de o peemedebista "resgatar o Brasil de sua pior recessão desde os anos 1930, com uma contração do PIB de 5,4% no último ano".

Um mês depois de tomar posse, Michel Temer já enfrenta aprovação tão baixa quando a de Dilma
Beto Barata/PR - 02.06.16
Um mês depois de tomar posse, Michel Temer já enfrenta aprovação tão baixa quando a de Dilma


"Ainda não se sabe se ele conseguirá unir os rachados partidos políticos para tomar decisões econômicas duras em temas urgentes como a reforma previdenciária", conclui a revista, citando a "decisão controversa" do Congresso de aprovar, em meio ao cenário de recessão e cortes, um aumento de 41% ao funcionalismo.

Para a Time, as lutas de Temer poderão se reverter em lucros para Dilma, pois "vários senadores agora dizem que poderiam mudar de opinião" em relação ao afastamento definitivo da presidente.

A publicação afirma, no entanto, que o destino de Dilma e Temer está atado aos novos desdobramentos da Operação Lava Jato – cita como exemplo a delação premiada do empreiteiro Marcelo Odebrecht, que poderia comprovar eventual financiamento ilegal da chapa PT-PMDB na eleição de 2014.

A revista afirma que a crise econômica que "impacta fortemente as famílias" e os protestos que incomodam o governo interino desviam a atenção pública da Olimpíada. "O drama fora do Estádio Olímpico poderá ofuscar o espetáculo dentro dele."

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