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Presidente interino se defendeu de acusações de que estaria articulando para pressionar PRB e livrar Cunha de cassação

Estadão Conteúdo

Michel Temer, ex-presidente da Câmara, garantiu a líderes aliados que não vai interferir na Casa
Ueslei Marcelino/Reuters
Michel Temer, ex-presidente da Câmara, garantiu a líderes aliados que não vai interferir na Casa


"Meu governo não é uma ação de amigos". Foi com essa frase que o presidente em exercício Michel Temer negou interferências do governo no processo de cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acordo com o líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (AM). 

O parlamentar amazonense se reuniu com o presidente interino na manhã desta quinta-feira (9) ao lado dos líderes do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), do PSB, Paulo Foletto (ES), e do vice-líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA). O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e foi solicitado pelos parlamentares, que integravam a antiga oposição ao governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

"Ele disse que não há qualquer interferência do governo na 'questão Cunha' com o Legislativo. Disse que o governo dele não é uma ação entre amigos", afirmou Pauderney, em entrevista após o encontro. Segundo o líder do DEM, Temer disse que a Câmara vai decidir seu destino sem interferência do Palácio do Planalto. 

Mais cedo, o deputado Paulo Foletto (PSB-ES), também foi na mesma linha de Pauderney. "Ele disse que não ia se meter. Ele deixou claríssimo que a Câmara tem tamanho e autoridade para resolver isso", afirmou. 

Nos últimos dias, opositores de Cunha acusam o Planalto de atuar sobre o PRB, que possui cargos na Esplanada dos Ministérios, para convencer a deputada Tia Eron (PRB-BA) a votar a favor do peemedebista no Conselho de Ética. O voto dela é considerado decisivo para aprovar a cassação de Cunha. 

Voto decisivo para a cassação de Cunha, Tia Eron (PRB-BA) está no centro de polêmica do governo
Facebook/Reprodução
Voto decisivo para a cassação de Cunha, Tia Eron (PRB-BA) está no centro de polêmica do governo


Além de favoráveis à cassação do mandato do presidente afastado da Câmara, os partidos querem o apoio de Temer para aprovar o regime de urgência para projeto de resolução que declara vago o cargo com o afastamento de Cunha. A proposta é de autoria do deputado Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS.

Para que o requerimento de urgência da proposta seja apresentado, os partidos precisam de assinaturas de líderes que representem 171 deputados. Até o momento, porém, apenas os líderes dos quatro partidos assinaram. PT, PMDB e partidos do “centrão”, aliados de Cunha, resistem a apoiar a proposta.

Conselho de Ética 

O líder do DEM também anunciou a troca de membros suplentes do partido no Conselho de Ética. O deputado Mandetta (MS) substituirá Onyx Lorenzoni (RS), que viajará em missão oficial. Segundo Pauderney, a troca não alterará votos no caso Cunha, pois o novo integrante do conselho também é favorável à cassação do peemedebista.


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