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Diante da possibilidade de alteração nas regras da votação, partido substituiu deputados Jorginho Mello e Paulo Freire

Estadão Conteúdo

Presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha aguarda aguarda votação que decide sua cassação
Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha aguarda aguarda votação que decide sua cassação


De olho na consulta formulada pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), que pode mudar as regras do rito de votação do processo de cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o PR alterou a composição de seus representantes no colegiado nesta quarta-feira (8). A prática, que está se tornando comum no Conselho de Ética e, agora, atingiu também a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Os titulares Jorginho Mello (SC) e Paulo Freire (SP) deixaram as titularidades e foram para a suplência. Já os suplentes Laerte Bessa, do Distrito Federal, e Wellington Roberto, da Paraíba, passaram a ocupar as vagas de titulares –os três são membros do Conselho de Ética e integram a tropa de choque de Eduardo Cunha no colegiado.  A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), que está de licença maternidade e era suplente, foi substituída pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA).

As mudanças causaram surpresa e revolta no plenário da CCJ. "Isso é um precedente inédito muito grave. Cheira mal", protestou Jorginho Mello, que reclamou de ter sido substituído sem consulta prévia. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), por sua vez, declarou que a CCJ passa agora pelo "espetáculo da troca de membros". "O Congresso brasileiro nunca esteve tão baixo", afirmou.

Substituído na CCJ, deputado Jorginho Mello disse que mudança foi feita pelo PR sem aviso prévio
Agência Câmara
Substituído na CCJ, deputado Jorginho Mello disse que mudança foi feita pelo PR sem aviso prévio


O petista Wadih Damous (RJ) chamou a mudança de "manobra espúria" e disse que, se o parlamento não tomar providências, o Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público agirão. "Se não assumirmos aquilo para o qual fomos eleitos, outros o farão", disse.

O parecer do deputado Arthur Lira (PP-AL) sobre a consulta de Maranhão só será lido na CCJ na sessão desta quinta-feira. Nesta quarta-feira (8), Lira protestou contra a obstrução dos partidos que não querem discutir o assunto e pregam que não haja mudança no rito de votação de processo disciplinar no plenário. "Não se pode negar a discutir qualquer tema", reclamou.

Um dos partidos que declararam obstrução à discussão e votação do parecer de Lira é o DEM. "Essa matéria não atende aos interesses da Casa", justificou o líder da bancada, Pauderney Avelino (AM).