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Esta, acreditam, seria a principal estratégia para convencer os indecisos a apoiar Dilma, além de ser uma oportunidade para a presidente afastada reconquistar legitimidade na Casa

Parlamentares não creem que prisão de líderes do PMDB seja suficiente para reverter votação
Alessandro Dantas/PT no Senado/Flickr
Parlamentares não creem que prisão de líderes do PMDB seja suficiente para reverter votação

Lideranças do PT no Senado não acreditam que a eventual prisão de líderes do PMDB seja suficiente para reverter os votos que a presidente afastada Dilma Rousseff precisa no processo de impeachment. Em tom ameno, os parlamentares evitam acusar o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Romero Jucá (PMDB-RR), mas defendem reservadamente a realização de um plebiscito para consultar a população sobre novas eleições.

Esta, acreditam, seria a principal estratégia para convencer os indecisos a apoiar Dilma, além de ser uma oportunidade para a presidente afastada reconquistar legitimidade na Casa.

Para viabilizar a ideia, os congressistas precisam convencer os movimentos sociais a apoiar a consulta popular, já que acreditam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não deve surgir do partido, e sim das "ruas". Até o momento, a Central Única de Trabalhadores (CUT) seria o ponto de maior resistência, mas, segundo algumas lideranças, já estaria demonstrando sinais de que poderia endossar a ideia. Os movimentos também seriam o caminho para convencer a presidente afastada, que agora estaria vendo o assunto com maior simpatia.

Assim que soube dos pedidos de prisão, Buarque ligou para parlamentares defendendo eleições
Ag. Senado
Assim que soube dos pedidos de prisão, Buarque ligou para parlamentares defendendo eleições

Embora avaliem que o governo está enfraquecido, os petistas evitam ataques aos aliados do presidente em exercício Michel Temer. Há o temor em algumas alas da legenda de que o caso do ex-senador Delcídio do Amaral, preso no ano passado, possa ter aberto precedentes para outros casos, o que seria reforçado caso o Supremo Tribunal Federal acate os pedidos de prisão da Procuradoria-geral da República (PGR).

Alguns parlamentares também consideram ser muito cedo para celebrar uma vitória do partido. Eles estão receosos com o acordo de delação premiada da Odebrecht, que poderia envolver membros da sigla.

Segundo o senador Ronaldo Caiado, antecipar ou postergar as eleições seria inconstitucional
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Segundo o senador Ronaldo Caiado, antecipar ou postergar as eleições seria inconstitucional

A proposta do plebiscito é defendida abertamente por cerca de dez senadores "independentes" do Congresso Nacional, como o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que votou a favor da abertura do processo de impeachment de Dilma. Assim que soube dos pedidos de prisão de Renan e Jucá, mais cedo, ele ligou para parlamentares defendendo a ideia de novas eleições.

Já os governistas são totalmente contrários à proposta. Segundo o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), não é possível nem se quer discutir a ideia, pois, segundo ele, antecipar ou postergar as eleições seria inconstitucional.