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Decisão histórica do Procurador-Geral da República é justa, mas quem terá a coragem de prender José Sarney?

Na manhã desta terça-feira (7), o Brasil foi surpreendido com uma notícia insólita: o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do ex-presidente da República José Sarney, do presidente do Senado Renan Calheiros, do senador Romero Jucá e do deputado afastado da presidência da Câmara, Eduardo Cunha.

Essa é a primeira vez que um ex-presidente da República e um presidente em exercício do Senado têm sua prisão decretada. Não se trata aqui de questionar os motivos e a lisura da Procuradoria - pelo contrário, seu trabalho de limpeza e moralização do nosso País tem sido impecável.

Mas mexer com Sarney? Quem terá a coragem de colocar a coleira na onça? Janot jogou uma bomba no colo do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Provavelmente, o juiz passará esse enorme problema para o plenário do STF e dividir a responsabilidade da decisão histórica.

Será que o japonês da Polícia Federal vai algemar e escoltar Sarney? Determinar que se coloque uma tornozeleira no ex-presidente, mandá-lo para casa sem que possa usar o telefone e impedir de se comunicar com pessoas ligadas a este processo é algo que beira a insanidade.

Sarney não é Collor. O ex-presidente do Maranhão é um político poderoso, com raízes longas e profundas, que se espalham por todos os setores econômicos e políticos do país, com transito livre desde a caserna até as centrais sindicais. Enganam-se os que acham que Sarney é um político local com força restrita ao Norte e Nordeste. Ele é um dos últimos políticos da velha guarda a comandar um respeito quase que monárquico.