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Alvo da Operação Acrônimo, governador tenta manter base na Assembleia Legislativa unida –apesar da pressão popular– para se manter no cargo caso STJ remeta decisão aos deputados

Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, com a primeira-dama, Carolina Oliveira Pimentel
Luiz Costa/Hoje em Dia/Estadão Conteúdo
Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, com a primeira-dama, Carolina Oliveira Pimentel

Amigos desde a adolescência, a presidente afastada Dilma Rousseff e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), vivem situações semelhantes. Enquanto Dilma enfrenta um processo de impeachment, Pimentel, alvo da Operação Acrônimo, pode perder o mandato, a depender de decisão do Superior Tribunal de Justiça. Se for afastado, Pimentel também será substituído por um nome do PMDB, o vice-governador Antônio Andrade.

As semelhanças, entretanto, param por aí. Dilma tenta ganhar tempo. Já Pimentel articula entre seus aliados uma solução rápida para acelerar o processo e manter unida sua base na Assembleia Legislativa frente à ameaça das denúncias e da opinião pública.

Deste a sexta-feira (3), as decisões sobre o recebimento da acusação formal, a possibilidade de afastamento de Pimentel e a necessidade ou não de o caso ser submetido à Assembleia – onde o governo tem ampla maioria – está nas mãos da corte do STJ. A expectativa no entorno do governador é que o caso seja julgado o mais rápido possível.

O governo e até parte da oposição admitem que a hipótese mais provável é que o possível afastamento de Pimentel seja remetido à Assembleia. Por via das dúvidas, o vice-governador diz estar preparado para assumir o cargo, embora defenda a permanência de Pimentel à frente do governo. "Constitucionalmente, o vice-governador tem de estar preparado a qualquer momento para assumir", disse Andrade durante evento na quarta-feira passada, quando divulgou para a imprensa uma agenda pública. "Mas isso não quer dizer de forma nenhuma que isso me agrada. Fomos eleitos em uma chapa e queremos até o final ter este governador."

Campanha
Nas redes sociais já circula a campanha "Agora é Pimentel", em referência ao impeachment de Dilma, e o grupo Patriotas, antipetista, faz aparições diárias nos corredores da Assembleia mineira. Embora tenha maioria no Parlamento estadual, o governo tem agido para evitar o esfacelamento da base.

O ex-deputado Sávio Souza Cruz (PMDB), homem de confiança do presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (PMDB), foi promovido da Secretaria do Meio Ambiente para a da Saúde.

Além disso, Pimentel tem recebido pessoalmente os parlamentares aliados para garantir a fidelidade diante da possibilidade de afastamento. O presidente da Assembleia disse a pelo menos cinco deputados ouvidos pelo jornal "O Estado de S.Paulo" que vai dar celeridade ao processo. No meio da semana ele conversou com o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence sobre aspectos legais do rito, conforme fontes do Palácio Tiradentes. Lopes também disse a deputados que deseja uma votação eletrônica, sem que os parlamentares possam usar o microfone, para preservá-los da pressão popular.

"A mesa da Assembleia tem o poder de comissão e quer colocar rápido o caso em plenário", afirmou o líder do governo.

A força das ruas é o pilar da estratégia da oposição para tentar reverter a situação. "Vamos procurar demonstrar os fatos e deixar claro que Pimentel não tem condição moral de governar nosso Estado. Que a sociedade faça o seu papel", disse o líder do bloco da oposição no Legislativo, Gustavo Corrêa (DEM).

Em outro flanco, a oposição vai recorrer aos tribunais para retardar o processo e aumentar a pressão popular. "A oposição vai lutar na Justiça para que se respeite a Constituição de Minas Gerais. Não pode ser apenas um julgamento político", disse o deputado Bonifácio Mourão (PSDB).

Alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Pimentel é suspeito de receber propina da montadora de veículos Caoa, por meio do empresário Benedito Oliveira, o Bené, quando foi ministro do Desenvolvimento de Dilma. Em deleção premiada, Bené disse que o montante repassado chega a R$ 20 milhões, sendo R$ 7 milhões no exterior. Pimentel nega.

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