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Torquato Jardim tomou posse nesta quinta-feira, após Fabiano Silveira pedir demissão devido a escândalo com gravação

Novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim, toma posse em Brasília
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 2.6.16
Novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim, toma posse em Brasília

O novo ministro de Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim, afirmou nesta quinta-feira (2) que sua primeira tarefa na pasta será buscar um novo texto sobre os acordos de leniência. "Leniência é para reintegração econômica e ela não pode a passo algum prejudicar as investigações", afirmou.

O ministro disse que não sofre pressão e rechaçou a possibilidade de interferência na Operação Lava Jato. "O próprio presidente (Michel) Temer já disse que não há essa hipótese. Eu cumpro ordem", salientou.

Questionado se teria mudado de opinião em relação ao governo Temer, já que publicou um artigo defendendo que a eventual cassação de Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levaria necessariamente à queda automática de Michel Temer, Torquato afirmou que agora há um "fato novo e circunstância nova" e que, no direito, "os conceitos estão em aberto". "A menor circunstância de um fato pode transformar e derrubar toda uma biblioteca", disse.

Temer
O presidente em exercício, Michel Temer, usou a maior parte do seu breve discurso na cerimônia de posse do novo ministro para elogiar o trabalho do Congresso e reforçar o pedido de apoio dos parlamentares. "Hoje estou fazendo 20 dias de governo ainda interino e tive a oportunidade de ver a Câmara e Senado trabalhando ativamente, algo que não ocorre há muito tempo", afirmou.

O peemedebista chegou a pedir uma salva de palmas pelo trabalho dos deputados, que na madrugada desta quinta-feira aprovaram o projeto de Desvinculação de Receitas da União (DRU). "Foi um apoio indispensável ao Poder Executivo", completou.

Nesta madrugada, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a DRU até 2023. Em uma demonstração da força da base aliada de Temer no Congresso Nacional, a matéria foi aprovada por 334 votos a 90 – mais do que os 308 votos mínimos necessários para aprovar uma PEC na Casa. Houve ainda duas abstenções.

Temer lembrou a aprovação da meta fiscal na semana passada. "Temos tantos outros projetos pela frente e vamos precisar da Câmara dos Deputados", afirmou. Segundo ele, esse apoio ao Executivo também é importante para "revelar aos olhos da população" a integração entre os Poderes.

Ao dirigir-se a Torquato, Temer exaltou as qualidades do ministro, disse que ele tem um currículo invejável e até fez uma brincadeira, afirmando que tinha "inveja" pois Torquato viajou o mundo para dar palestras. "Eu não tive essa honra".

Temer desejou sucesso ao novo ministro, alçado ao posto após Fabiano Silveira deixar o cargo na última segunda-feira (30), depois da divulgação de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. "Torquato, vá em frente, ajude esse governo porque acho que nós merecemos esse apoio para tirar o País da crise extraordinária", afirmou.