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João Santana é acusado de receber dinheiro de "setor de propina" da Odebrecht e de lavagem internacional de dinheiro envolvendo esquema de corrupção na petroleira Sete Brasil

Estadão Conteúdo

João Santana e Mônica Moura comandaram a reeleição de Lula e as duas campanhas de Dilma
Suellen Lima/Frame Photo/Estadão Conteúdo - 23.02.16
João Santana e Mônica Moura comandaram a reeleição de Lula e as duas campanhas de Dilma


A força-tarefa da Operação Lava Jato prepara novas denúncias contra João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, responsáveis pelas campanhas eleitorais para a Presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014). A nova fase deve ocorrer simultaneamente com as investigações sobre os crimes praticados pela maior empreiteira do Brasil, a Odebrecht.

O casal responde atualmente a duas ações penais na Lava Jato, sendo acusados de corrupção, organização criminosa e lavagem internacional de dinheiro envolvendo o esquema de corrupção na Sete Brasil, empresa de capital misto criada para produção de sondas do pré-sal, e os pagamentos recebidos por eles do “setor de propina” da empreiteira de Marcelo Odebrecht.

Segundo a Procuradoria da República no Paraná, em breve serão apresentadas duas denúncias envolvendo a suposta evasão de divisas do casal – que só declarou possuir conta na Suíça em nome da offshore Shellbill Finance –, que recebeu quantias milionárias de um dos operadores de propina na Petrobras, e a suposta lavagem de dinheiro por meio da “ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos utilização para a aquisição de imóvel em proveito do casal”. As informações estão em um documento encaminhado ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos julgamentos da Lava Jato em primeira instância.

O imóvel que está na mira dos investigadores é o apartamento 8W, na 19ª avenida, em Nova York, nos Estados Unidos, que está registrado em nome de uma empresa aberta por eles em El Salvador em 2009.

Ao quebrar o sigilo dos e-mails de Mônica Moura, a PF destaca que o local era indicado por ela e sua filha em diversas mensagens como endereço para a entrega de compras feitas por elas na internet. "Não há, no entanto, declaração ao Fisco do imóvel de Nova York, existindo dolosa intenção de ocultá-lo das autoridades brasileiras", diz a investigação no relatório que analisou as mensagens de eletrônicas.

Fruto da 26ª fase da Lava Jato, a Operação Xepa, objeto da primeira denúncia contra João Santana e Mônica Moura, tem como foco os pagamentos para o marqueteiro do PT feitos pelo "setor profissional de propinas" da Odebrecht.

Segundo o Ministério Público Federal, a Odebrecht tinha conhecimento do setor e inclusive teria atuado para desmontá-lo e proteger os funcionários das investigações.

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