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Em áudio, ex-presidente do Brasil afirmou, segundo reportagem, que "não poderia meter" advogados no esquema

Sarney teria prometido ajuda a ex-presidente da Transpetro em áudio divulgado nesta quarta-feira
Agência Senado
Sarney teria prometido ajuda a ex-presidente da Transpetro em áudio divulgado nesta quarta-feira

O ex-presidente José Sarney (PMDB) teria prometido, em um áudio gravado durante conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, ajudá-lo a se proteger da Operação Lava Jato e não ser transferido para Curitiba, onde cairia nas mãos do juiz federal Sergio Moro, responsável pelas investigações operação. As informações são do jornal "Folha de S. Paulo".

No áudio, segundo a reportagem, Machado – que fechou nesta quarta-feira (25) acordo de delação premiada no âmbito das investigações da Lava Jato – afirma estar preocupado em ser julgado por Moro e que não "poderia descer até lá", em uma referência à instância comum da Justiça. Sarney responde que pode auxiliá-lo. "Temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada", disse, enfatizando que a ideia não poderia ser levada adiante com um advogado. "Sem meter advogado", teria repetido por três vezes.

Em outro trecho da conversa entre Sarney e o ex-presidente da Transpetro – que é subsidiária da Petrobras e também é investigada na Lava Jato –, Sarney fala sobre o suposto envolvimento de Dilma Rousseff em uma ação envolvendo a construtora Odebrecht.

"Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela [Dilma] está envolvida diretamente é que falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do... E responsabilizar aquele [inaudível]", transcreve o jornal.

Ainda sobre a maior construtora do País, Sarney declara que, caso o dono da empreiteira, Marcelo Bahia Odebrecht, fechasse um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, isso seria uma "uma metralhadora de [calibre] ponto 100".

Questionado sobre a necessidade de incluir o senador Romero Jucá (PMDB-RR) no esquema, Sarney foi claro. "[Não acho] conveniente, a gente não põe muita gente", respondeu. "O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]", concluiu.

Em nota, José Sarney disse não ter condições de se posicionar até escutar as gravações. Afirmou, entretanto, que as conversas com Sérgio Machado foram "solidárias". "As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, expressei sempre minha solidariedade na esperança de superar as acusações que enfrentava. Lamento que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar."

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