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Batizada de "Operação Vício", 30ª fase conta com efetivo de cerca de 50 policiais federais e dez servidores da Receita, que cumprem mandados em São Paulo e no Rio de Janeiro

Agência Brasil

A 29ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Repescagem, ocorreu nesta segunda-feira (23)
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A 29ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Repescagem, ocorreu nesta segunda-feira (23)

Dois funcionários da Serviços da Petrobras são os alvos da 30ª etapa da Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (24). Eles foram obrigados a prestar depoimento (condução coercitiva) a respeito da suposta cota do PT no esquema de corrupção na estatal.

Os dois são suspeitos de envolvimento no recebimento de propinas por empresas fornecedoras de tubos em contratos de mais de R$ 5 bilhões da estatal com a diretoria de Serviços.

Na fase atual, as investigações apontam para o pagamento de R$ 40 milhões em propina no Brasil e no exterior entre 2009 e 2013 por parte de duas grandes empresas fornecedoras de tubos, que teriam utilizado uma construtora de fachada, um escritório de advocacia e transferências no exterior por meio de offshores para fazer os pagamentos ilícitos.

Além dos dois funcionários da estatal levados a depor, também foi decretada a prisão preventiva dos sócios da construtora de fachada utilizada para fazer o repasse de propinas. No total, foram expedidos dois mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os pagamentos de propinas foram apontados inicialmente por réus colaboradores, que também pagaram propina à Diretoria de Serviços da Petrobras por meio da empresa investigada. O aprofundamento das investigações, com o auxílio da Receita Federal, da Polícia Federal, da Petrobras e do escritório de investigação autônoma contratado pela estatal, levou à confirmação de que a propina tinha origem em uma grande fornecedora de tubos para a estatal.

Há fortes indicativos da participação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-diretor de Engenharia da Petrobras Renato Duque nos ilícitos. Ambos foram recentemente condenados pelo juiz Sérgio Moro a penas de 23 anos e 10 anos de prisão, respectivamente. Renato Duque também já foi condenado em outras duas ações penais, de modo que suas penas hoje somam 50 anos, 11 meses e 10 dias de prisão.

Desintoxicação na Petrobras
Três grupos de empresas são investigados por terem se utilizado de operadores e de contratos fictícios de prestação de serviços para repassar, principalmente, à Diretoria de Serviços e Engenharia e Diretoria de Abastecimento da estatal. Aos investigados estão sendo atribuídos, entre outros, crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de ativos.

Veja fotos dos atos contra Dilma e Lula após divulgação de grampos da Lava Jato:

O nome da operação está relacionado à "sistemática, repetida e aparentemente dependente prática de corrupção por determinados funcionários da estatal e agentes políticos que aparentam não atuar de outra forma senão por meio de atos lesivos ao Estado. O termo ainda remete à ideia de que setores do Estado precisam passar por um processo de desintoxicação do modo corrupto de contratar, presente não ação de seus representantes", acrescenta a nota.

Em outro procedimento, estão sendo cumpridos mandados que buscam a apuração de pagamentos indevidos a um executivo da área internacional da Petrobras em contratos firmados para aquisição de navios-sondas. Os presos e o material apreendido devem ser levados ainda nesta terça para a PF em Curitiba. 

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram na manhã desta terça-feira (24) a 30ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Operação Vício".

A ação tem a participação de cerca de 50 policiais federais e dez servidores da Receita, que cumprem 28 mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e nove de condução coercitiva nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

As investigações estão relacionadas ao esquema de corrupção e lavagem de ativos decorrentes de contratos firmados com a Petrobras. "Trata-se da apreciação de vários contratos e correspondentes repasses de valores não devidos entre empresas contratantes da Petrobras, funcionários da estatal e agentes públicos e políticos", diz nota divulgada pela PF.