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Deputados e senadores aliados de Dilma articulam para adiar a votação de proposta apresentada pela equipe econômica de Temer, que está agendada para ocorrer às 11h desta terça-feira

Agora ministro afastado, Romero Jucá queria celeridade na votação da meta fiscal no Congresso
Jane de Araújo/Agência Senado - 19.5.16
Agora ministro afastado, Romero Jucá queria celeridade na votação da meta fiscal no Congresso

Parlamentares de oposição ao presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), prometem articular para barrar a votação da nova meta fiscal do governo que está agendada para ocorrer em sessão conjunta no Congresso Nacional às 11h desta terça-feira (24).

Apesar do pedido de licença apresentado ainda nesta segunda-feira (23) pelo ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), deputados e senadores aliados da presidente afastada Dilma Rousseff ainda cobram a "resolução" da crise instaurada no governo após a divulgação de uma conversa entre o peemedebista e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. No diálogo, publicado pelo jornal "Folha de S.Paulo", Jucá sugere um "pacto" para barrar as investigações da Operação Lava Jato.

"Vamos negociar para suspender qualquer votação enquanto isso não for resolvido. Estamos dialogando e vamos usar todos os instrumentos regimentais para impedir a votação", afirma o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA).

O vice-presidente do PDT, deputado André Figueiredo (CE), também acredita que o escândalo envolvendo Jucá deve interferir na votação da nova meta fiscal, que prevê um déficit primário de R$ 170,5 bilhões.

"Estamos trabalhando com a perspectiva de aguardar um pouco mais para votar. Como temos até o final de maio [para aprovar a nova meta], achamos que votar às pressas em meio a esse escândalo pode trazer ainda mais problemas para o País", diz Figueiredo, ex-ministro das Comunicações de Dilma. 

Caso a nova meta fiscal não seja aprovada até a próxima segunda-feira (30), o governo de Michel Temer terá que trabalhar com a meta enviada por Dilma Rousseff ao Congresso, que prevê um superávit de R$ 24 bilhões – o que obrigaria a equipe de Temer a reduzir vários gastos e investimentos. Na semana passada, o peemedebista chegou a declarar que, sem a aprovação, ele teria que "pedalar" – referindo-se às manobras contábeis adotadas por sua antecessora (e que motivaram seu pedido de afastamento).

Apesar das investidas da oposição – que já iniciou os diálogos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB),  para impedir a votação desta terça-feira –, o líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), diz acreditar que a proposta será aprovada "sem sustos".

"A oposição está cumprindo o seu papel, mas ela é minoritária, então não há perigo nenhum. Nossa base está muito unida", diz Moura, que minimiza o peso da polêmica envolvendo o agora ministro afastado do Planejamento. "Ele [Jucá] já deu as explicações e isso é uma questão de governo. Nossa missão é no Legislativo e no Congresso Nacional."

Senador por Roraima, Romero Jucá (PMDB) deve enfrentar processo no Conselho de Ética
Antonio Cruz/Agência Brasil
Senador por Roraima, Romero Jucá (PMDB) deve enfrentar processo no Conselho de Ética

Cassação
Além de ter potencial para impactar no planejamento da equipe econômica de Temer, a conversa entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro deve motivar um processo pedindo a cassação do mandato do ministro afastado, que é senador pelo Estado de Roraima. Nesta segunda-feira, o PDT anunciou que entrará com processo disciplinar contra Jucá no Conselho de Ética do Senado.

"É uma situação muito semelhante a que aconteceu com o Delcídio", avalia o pedetista André Figueiredo. "Isso é só a ponta de um iceberg muito maior." 

Já o senador petista Paulo Rocha considera a conversa de Jucá "mais grave" que o caso de Delcídio do Amaral, que teve o mandato cassado após ser preso devido a uma gravação na qual ele sugere um plano de fuga para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. "Foi mais grave que a atitude do Delcídio e o Supremo mandou prendê-lo. Nós queremos coerência das instituições."

"Foi a confissão do golpe", continua Rocha. "Por muito menos, o Lula deixou de ser nomeado ministro", complementa, lembrando da suspensão da posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil de Dilma.