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Semelhanças entre o afastamento de Antonio Palocci e a do presidente do PMDB vão de justificativas para demissão a quantas vezes os políticos chefiaram suas pastas

Em conversa gravada, Jucá diz que tem acesso a quase todos os ministros do STF
André Dusek/Estadão Conteúdo - 23.5.16
Em conversa gravada, Jucá diz que tem acesso a quase todos os ministros do STF

O primeiro ministro a cair na gestão de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, e o primeiro titular a deixar uma pasta no governo interino de Michel Temer – mesmo que temporariamente –, Romero Jucá (PMDB-RR), compartilham diversas semelhanças nas suas curtas carreiras como ministros.

Em 2011, quando Palocci deixou o cargo acusado de multiplicar em 20 vezes seu patrimônio entre 2006 e 2010, o petista durou 157 dias do momento em que tomou posse até a sua demissão, em 7 de junho de 2011. Romero Jucá, por outro lado, permaneceu 11 dias à frente da sua pasta antes de anunciar o afastamento.

Os dois casos guardam coincidências entre si. Em ambas as oportunidades, foram os titulares que pediram afastamento – Romero Jucá divulgou a resolução em entrevista coletiva no Senado, enquanto Antonio Palocci enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff informando a sua decisão.

Os dois ministros, inclusive, participaram de governos diferentes – Jucá fez parte da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Previdência Social, mas foi exonerado após denúncias de corrupção, e do atual governo interino de Michel Temer. Palocci também esteve no governo Lula – chefiou o Ministério da Fazenda –, pediu afastamento em 2006 também após denúncias, e voltou em 2011 com Dilma.

Antonio Palocci tomou posse como ministro da Casa Civil de Dilma, mas caiu após 157 dias
Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11
Antonio Palocci tomou posse como ministro da Casa Civil de Dilma, mas caiu após 157 dias

Até as justificativas para a demissão foram parecidas. Na tarde desta segunda-feira (23), Jucá afirmou que tomou a atitude para evitar manchas ao novo governo. "Não quero de forma nenhuma deixar que qualquer manipulação mal-intencionada possa comprometer o governo", disse.

Já em 2011, na carta de Palocci, constava que o ministro "considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento", dizia a nota divulgada.