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Segundo o lobista Julio Camargo, ex-chefe de gabinete de Sergio Gabrielli foi responsável por pagamentos em esquema

Estadão Conteúdo

Camargo em depoimento: ele declarou que custos foram repassados ao PP, PT, PMDB e outros
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Camargo em depoimento: ele declarou que custos foram repassados ao PP, PT, PMDB e outros


O lobista Julio Camargo afirmou, em depoimento de delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, que Armando Tripodi, ex-chefe de gabinete de José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras, tratou diretamente do pagamento de propina para a agência da Muranno Brasil Marketing, feito em 2010, com dinheiro desviado da estatal pelo PT, PMDB e PP.

O valor seria o acordo de uma dívida com o empresário Ricardo Villani, dono da Muranno, que cobrava dinheiro por serviços prestados sem contrato para a Petrobras. O empresário afirmou à Polícia Federal que tinha R$ 7 milhões a receber da estatal pela divulgação de marca feita em eventos realizados em corridas da Fórmula Indy, nos Estados Unidos.

As suspeitas são que Villani teria chantageado diretores da Petrobras para o pagamento da dívida. Caso contrário, ele revelaria publicamente o esquema de fraudes na estatal. O empresário nega.

Gabrielli deixou o comando da estatal em 2012, para assumir a Secretaria de Planejamento da Bahia, nomeado pelo então governador Jaques Wagner (PT).

Dívida                                                        
Julio Camargo afirmou no primeiro depoimento, em outubro, que foi procurado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para a possibilidade de arcar com uma parte dos valores devidos à Muranno. Depois do contato inicial, o lobista encaminhou o pedido para Armando Tripodi, assessor do então presidente da empresa, ressaltando a sua “urgência”.

Na quebra de sigilo bancário das empresas do doleiro Alberto Yousseff, um dos operadores financeiros dos desvios da Petrobras, a força-tarefa da Lava Jato identificou o repasse de pelo menos R$1,6 milhão para a Muranno. Em depoimento, o doleiro declarou que cuidou do repasse de cerca de R$ 6 milhões no episódio, entre o final de 2010 e o início de 2011.

Eleição
O delator afirmou à Polícia Federal que Paulo Roberto Costa havia comunicado a ele “operações irregulares na Diretoria de Abastecimento”. Essa diretoria fazia a parte da “cota” do PP, com diretores que foram apoiados pelo ex-presidente Lula, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e pelo presidente nacional do PMDB e agora ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer, Romero Jucá.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa teria pedido ao lobista dinheiro para
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
O ex-diretor Paulo Roberto Costa teria pedido ao lobista dinheiro para "pagamento irregular"

Camargo contou que não havia a possibilidade de que os valores devidos a Muranno fossem pagos pelo caixa da estatal uma vez que “foram contratados de modo irregular”. E que, uma vez que a empresa de comunicação estava cobrando os diretores sobre o pagamento, a decisão foi a de repassar os custos aos partidos políticos ligados à estatal, “PP, PT e PMDB”.

O lobista explicou que ouviu do outro diretor o pedido de repasse e a orientação de que o valor fosse descontado da “conta” do PT no caixa de propinas desviadas da Petrobras. O inquérito da Muranno integra a frente de apuração da Lava Jato sobre suposta corrupção em contratos de publicidade e comunicação da Petrobras. A apuração pode atingir outras áreas do governo e servir de novo elo com o escândalo do mensalão, acreditam investigadores.

Armando Tripodi não foi localizado para comentar o caso. O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli tem negado reiteradamente o envolvimento com o caso. Em nota divulgada anteriormente, ele afirma que nunca teve contato com a empresa Muranno afirmando que “se havia uma pendência com essa empresa, não era de conhecimento da Presidência da Petrobras”. Ele também negou conhecer Alberto Yousseff.

Veja a lista de políticos que estão na mira da Operação Lava Jato: