Tamanho do texto

Dos 23 ministros nomeados, 19 têm passagens pelo Congresso Nacional; ao todo, presidente interino contemplou 11 partidos

Estadão Conteúdo

Michel Temer enfrentou conflitos para cortar ministérios e garantir base aliada no Congresso
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Michel Temer enfrentou conflitos para cortar ministérios e garantir base aliada no Congresso


O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) deu prioridade a nomes políticos para compor a equipe de governo, com foco na experiência no Congresso Nacional. Dos 23 ministros, 19 têm passagens como deputados, senadores ou dirigentes partidários. Apenas três nunca tiveram atividade partidária direta e um, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, chegou a ser eleito deputado pelo PSDB de Goiás, mas não tomou posse – nomeado presidente do Banco Central no governo Lula –, foi filiado ao PMDB e agora é do PSD.

Ao todo, Temer contemplou 11 partidos. O peemedebista almejava o que foi definido como um ministério de “notáveis”, mas acabou cedendo à pressão dos partidos para manter o compromisso de reduzir o número de pastas. O principal exemplo se deu com a Saúde. O presidente interino queria que o PP avalizasse o nome do cirurgião Raul Cutait, mas a bancada da sigla não gostou da ideia e ameaçou boicotar o novo governo em votações da Casa e, com a pressão, o deputado Ricardo Barros (PR) levou o cargo.

Durante o período de definições dos nomes que iriam compor o governo, o desenho da Esplanada mudou constantemente. O PRB cobrou a indicação para a Agricultura, mas o setor pressionou por um nome ligado à área e Michel Temer ofereceu a pasta da Ciência e Tecnologia, o partido aceitou e indicou o nome do presidente da legenda, o advogado e bispo da Igreja Universal Marcos Pereira. Após a reação da comunidade acadêmica, o presidente em exercício recuou da decisão, fundiu a pasta com as Comunicações e Pereira foi nomeado para o Ministério do Desenvolvimento.

O PMDB de Temer ficou com sete ministérios. Desses, três são parlamentares: os deputados Leonardo Picciani (Esporte) e Osmar Terra (Desenvolvimento Agrário e Social) e o senador Romero Jucá (Planejamento). Também há os ex-deputados Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Henrique Alves (Turismo). 

Tucanos

Posse de Michel Temer como interino representou volta do PSDB ao governo após 13 anos
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Posse de Michel Temer como interino representou volta do PSDB ao governo após 13 anos


Um dos principais fiadores do impeachment de Dilma, o PSDB terá três integrantes no governo Temer. Desses, dois são parlamentares: o senador José Serra (Relações Exteriores) e o deputado Bruno Araújo (Cidades), este próximo ao presidente da sigla, senador Aécio Neves (MG). A legenda indicou o ministro da Justiça: o ex-procurador de Justiça e advogado Alexandre de Moraes, que deixou a pasta da Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

PP e PSD indicaram cada um dois representares. No caso do PP, são dois parlamentares: o deputado Ricardo Barros (Saúde) e o senador Blairo Maggi (Agricultura), que deixou o PR e se filiou ao partido na quarta-feira (11). Já o PSD tem o seu presidente nacional, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações) e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles.

Ainda assim, o presidente em exercício não conseguiu agradar a todos. Um dos principais articuladores do impeachment na Câmara, o presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), reclamou porque o partido ficou sem ministério. Ele chegou a negociar com Temer o Ministério do Desenvolvimento Agrário mas, com a fusão da pasta com o Desenvolvimento Social, o partido – que tem 14 deputados – ficou sem vaga na Esplanada.

Lava Jato

Ministro de Dilma, Henrique Alves reassume o Turismo e volta a ter foro privilegiado na Lava Jato
Valter Campanato/Agência Brasil
Ministro de Dilma, Henrique Alves reassume o Turismo e volta a ter foro privilegiado na Lava Jato


A equipe de Temer também tem três políticos alvos da Operação Lava Jato: Romero Jucá, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima (BA). Os dois últimos passam a ter foro privilegiado e, agora, só podem ser investigados perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Às vésperas de assumir o cargo, o presidente interino disse que o fato de ser investigado não seria impeditivo para a nomeação de seus auxiliares.

Jucá é investigado por suposto recebimento de dinheiro desviado da Petrobras e do setor elétrico. Um inquérito apura se ele cometeu crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Recentemente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de novas linhas de investigação contra o agora ministro do Planejamento e outros integrantes da cúpula do PMDB por possível envolvimento em desvio de recursos das obras da Hidrelétrica de Belo Monte e outros projetos do Ministério de Minas e Energia. Jucá também é alvo de inquérito ligado à Operação Zelotes, esquema de lobby envolvendo medidas provisórias. Ele nega envolvimento em qualquer crime.

Henrique Alves teve a casa como alvo de um mandado de busca e apreensão de uma fase da Lava Jato, batizada de Catilinárias. Geddel foi citado em mensagens interceptadas, mas não é alvo direto de investigação. Tanto o titular do Turismo quanto da Secretaria de Governo admitem ter tratado com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, de questões de interesse dele, mas negam irregularidades.

Veja quem são os 23 nomes que compõem o governo interino de Michel Temer: