Tamanho do texto

Maioria dos parlamentares de oposição ao governo de Dilma Rosseff não frequentava sede do governo federal havia 13 anos

Estadão Conteúdo

Paramentares  comemoram o trânsito livre que passarão a ter pelos corredores do Planalto
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 12.5.16
Paramentares comemoram o trânsito livre que passarão a ter pelos corredores do Planalto

Ao chegar ao segundo andar do Palácio do Planalto, onde Michel Temer tomaria posse como presidente em exercício, o deputado gaúcho Darcísio Perondi (PMDB) parou, olhou ao redor, abriu um sorriso, levantou os braços e disse: "Quero respirar esse oxigênio novo!"

Como Perondi, parlamentares de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff nem lembravam mais como era circular pelo Planalto. A maioria deles não pisava ali havia 13 anos.

Com a chegada de Temer ao poder, os parlamentares sabem que essa realidade mudou. Avessa à relação política com os políticos, Dilma nunca abriu brecha para esse tipo de contato. No máximo, se relacionava com líderes partidários. Na maioria das vezes, delegava aos ministros a tarefa, da qual não escondia sentir desprazer. Acabou vendo seu governo degringolar por não saber construir uma ponte sólida com deputados e senadores.

Temer, ao contrário, construiu sua carreira política no Congresso fazendo o oposto. Liderou a bancada do PMDB, comandou a legenda nacionalmente, presidiu a Câmara e foi, durante um tempo, articulador político do próprio governo Dilma.

Durante a posse de Temer, na quinta-feira (12), deputados e senadores se acotovelavam para cumprimentar o novo presidente em exercício e comemorar o trânsito livre que passarão a ter pelos corredores do Planalto.

Durante posse, deputados e senadores se acotovelavam para cumprimentar o novo presidente
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 12.05.16
Durante posse, deputados e senadores se acotovelavam para cumprimentar o novo presidente


Mudança
Era impossível não notar o clima de estranhamento com a troca da guarda sendo feita de forma tão radical. Pela manhã, Dilma se despediu do poder. Ao seu lado, apenas uns poucos ministros e políticos petistas. Do lado de fora, integrantes de movimentos sociais gritavam palavras de ordem e hostilizavam a imprensa.

Horas depois, à tarde, chegavam os novos ocupantes do poder. A ausência de mulheres na sua equipe ministerial foi considerada um retrocesso até mesmo por aliados. O tom mais formal de seu discurso foi outra novidade. Só quebrou o gelo quando perdeu a voz e foi socorrido por um assessor com uma pastilha, enquanto os aliados gritavam seu nome.

Veja a trajetória política de Michel Temer:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.