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Para Barbosa, o ideal seria convocação de novas eleições presidenciais, mas admitiu que dificilmente o STF aprovaria

Estadão Conteúdo

Para Barbosa, descumprimento de regras orçamentárias não é suficiente para o afastamento
Nelson Jr./ SCO/ STF/ Fotos Públicas
Para Barbosa, descumprimento de regras orçamentárias não é suficiente para o afastamento

Após o Senado Federal aprovar a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa questionou a maneira como o processo foi conduzido e, embora tenha admitido que a agora presidente afastada falhou no cargo, disse que o vice Michel Temer não tem legitimidade para governar o País. Para ele, o ideal seria que novas eleições fossem convocadas – o que, admitiu, dificilmente seria aprovado pela mais alta Corte do País. 

"Tenho sérias duvidas quanto à integridade e à adequação desse processo pelo motivo que foi escolhido. Se a presidente tivesse sendo processada pelo Congresso por sua cumplicidade e ambiguidade em relação à corrupção avassaladora mostrada no País nos últimos anos, eu não veria nenhum problema. Mas não é isso que está em causa", afirmou o ex-ministro. 

Para Barbosa, o descumprimento de regras orçamentárias, principal motivo apontado no pedido de impeachment, não é forte o suficiente para afastar um presidente.

"Temos um problema sério de proporcionalidade, pois a irresponsabilidade fiscal é o comportamento mais comum entre nossos governantes em todas as esferas. Vejam a penúria financeira dos nossos Estados, o que é isso senão fruto da irresponsabilidade orçamentária dos governadores", provocou.

O ex-ministro reconheceu que, "do ponto de vista puramente jurídico", o impeachment pode ser justificado, mas disse que tem "dúvidas muito sinceras" quanto à sua "justeza e ao acerto político que foi tomado para essa decisão".

"O impeachment é a punição máxima a um presidente que cometeu um deslize funcional gravíssimo. Trata-se de um mecanismo extremo, traumático, que pode abalar o sistema político como um todo, pode provocar ódio e rancores e tornar a população ainda mais refratária ao próprio sistema político."

Joaquim Barbosa não poupou críticas a Dilma, para ele, a petista não soube conduzir o País
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 12.05.2016
Joaquim Barbosa não poupou críticas a Dilma, para ele, a petista não soube conduzir o País

Apesar das críticas ao processo, Barbosa não poupou Dilma, a quem atacou por não ter conseguido conduzir o País, se comunicar com a população e, principalmente, pelas péssimas escolhas que fez, limitando-se a governar para seu grupo político e aliados de ocasião. "Não digo que ela compactuou abertamente com segmentos corruptos em seu governo, em seu partido e em sua base de apoio, mas se omitiu, silenciou-se, foi ambígua e não soube se distanciar do ambiente deletério que a cercava, não soube exercer comando e acabou engolida por essa gente", ressaltou o ex-ministro.

"Apesar disso, é muito grave tirar a presidente do cargo e colocar em seu lugar alguém que é seu adversário oculto ou ostensivo, alguém que perdeu uma eleição presidencial ou alguém que sequer um dia teria o sonho de disputar uma eleição para presidente. Anotem: o Brasil terá de conviver por mais 2 anos com essa anomalia [...] É um grupo que, em 2018, completará 20 anos sem ganhar uma eleição."

Apesar de criticar Dilma, Barbosa afirmou que Temer não tem legitimidade para governar o Brasil
PMDB/Divulgação - 12.03.2016
Apesar de criticar Dilma, Barbosa afirmou que Temer não tem legitimidade para governar o Brasil



Ao final de sua palestra, Barbosa ressaltou que está preocupado com o futuro das instituições brasileiras. "Eu me pergunto se esse impeachment não resultará em golpe certeiro em nossas instituições, eu me pergunto se elas não sairão fragilizadas, imprestáveis [...] E vai aqui mais uma provocação: quem na perspectiva de vocês, vai querer investir em um País em que se derruba presidente com tanta ligeireza, com tanta facilidade e com tanta afoiteza? Eu deixo essa reflexão a todos."

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