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Renúncias, processos de impeachment e golpes de Estado que interromperam mandatos, movimentaram o cenário político e mudaram o curso da história ao longo das últimas três décadas

Após Senado decidir pela abertura do processo de impeachment, Dilma é afastada por até 180 dias
Diego Vara/Agência RBS/Estadão Conteúdo
Após Senado decidir pela abertura do processo de impeachment, Dilma é afastada por até 180 dias



Crises econômicas, conflitos armados e denúncias de corrupção estão entre os principais motivos para a interrupção de mandatos presidenciais mundo afora. A BBC Brasil listou 19 países cujos presidentes renunciaram ou sofreram impeachment desde a década de 1990.

Guatemala: Otto Pérez Molina (2015) e Jorge Serrano Elías (1993)

Acusado de corrupção, Molina governou por três anos e renunciou em meio a protestos. Foi preso e aguarda julgamento. Outro líder guatemalteco a renunciar, Elías deixou o país depois de ver fracassar sua tentativa de dissolver o Parlamento e a Corte Constitucional do país.

Ucrânia: Viktor Yanukovych (2014)

Foi destituído pelo Parlamento em meio a protestos contra sua recusa em conduzir o ingresso da Ucrânia na União Europeia. A repressão às manifestações causou pelo menos 88 mortes. Yanukovych está exilado na Rússia.

Paraguai: Fernando Lugo (2012) e Raúl Cubas (1999)

Após a morte de 11 camponeses e seis policiais numa ação de reintegração de posse, Lugo foi destituído pelo Congresso acusado de mau desempenho de funções. Em 1999, o então presidente Cubas também deixou o posto durante conflitos com o Legislativo e o Judiciário por decidir libertar o general Lino Oviedo (preso por um motim em 1996).

Muammar Khadafi e Hosni Mubarack foram alguns dos ditadores depostos pela Primavera Árabe
Wikimedia Commons
Muammar Khadafi e Hosni Mubarack foram alguns dos ditadores depostos pela Primavera Árabe


Tunísia: Zine El Abidine Ben Ali (2011); Líbia: Muammar Khadafi (2011); Egito: Hosni Mubarak (2011) e Mohamed Morsi (2013)

Ben Ali, Kaddafi e Mubarak, que assumiram o poder em golpes de Estado e governaram por décadas, foram derrubados por revoltas populares na Primavera Árabe. No Egito, outro golpe de Estado tirou Morsi do poder, o primeiro presidente democraticamente eleito no paísi. Na Líbia, a queda de Khadafi desencadeou uma disputa territorial entre milícias e clãs rivais. Já a Tunísia parece ter realizado uma transição democrática bem sucedida com a eleição de 2014.

Costa do Marfim: Laurent Gbagbo (2011)

Gbagbo governou o país por dez anos até ser capturado durante um conflito armado por forças opositoras apoiadas pela França. Ele foi extraditado para a Holanda, onde está sendo julgado pelo Tribunal Internacional de Haia.

Honduras: Manuel Zelaya (2009)

Foi destituído pelo Congresso acusado de tentar mudar a Constituição para ampliar seu mandato. Detido por militares, Zelaya foi deportado para a Costa Rica. Em 2013, sua esposa, Xiomara Castro de Zelaya, concorreu à Presidência hondurenha, mas perdeu. Zelaya hoje é deputado no Parlamento Centro-Americano.

África do Sul: Thabo Mbeki (2008)

Após se reeleger em 2004, Mbeki perdeu a eleição para a chefia de seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC). Ele renunciou a pedido da sigla após denúncias de que havia tentado prejudicar seu principal oponente – o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma – na disputa pelo comando do partido.

Condenado por assassinato no Paquistão, o ex-presidente Musharraf vive refugiado em Londres
Wikimedia Commons
Condenado por assassinato no Paquistão, o ex-presidente Musharraf vive refugiado em Londres


Paquistão: Pervez Musharraf (2008)

O general, que assumiu a Presidência após um golpe de Estado em 1999, sofria ameaças de impeachment quando renunciou e se refugiou em Londres. Em 2013, foi acusado na Justiça paquistanesa pela morte de sua opositora Benazir Bhutto, em 2007.

Equador: Lúcio Gutiérrez (2005), Jamil Mahuad (2000) e Abdalá Bucaram (1997)

Gutiérrez foi deposto em meio a protestos, acusado de interferir para favorecer o ex-presidente Abdalá Bucaram em seu julgamento por corrupção. Bucaram, por sua vez, teve o mandato cassado pelo Congresso após adotar medidas impopulares para cortar gastos. E Mahuad, que governou entre os dois primeiros e hoje mora nos Estados Unidos, renunciou pressionado por protestos de indígenas e uma revolta de militares – em 2014, foi condenado a 12 anos de prisão por corrupção.

Bolívia: Carlos Mesa (2005) e Gonzalo Sánchez de Lozada (2003)

Lozada enfrentou protestos de sindicatos por, entre outros motivos, querer erradicar a folha de coca e exportar gás natural por um porto no Chile, rival histórico boliviano. Após confrontos que causaram dezenas de mortes, o ex-presidente renunciou e se exilou nos Estados Unidos. Seu sucessor, Carlos Mesa, foi incapaz de conter as turbulências e também abandonou o posto.

Libéria: Charles Taylor (2003)

Taylor teve o governo abalado pela denúncia de que cometera crimes de guerra e contra a humanidade em conflito na vizinha Serra Leoa. A pressão internacional e a eclosão de uma guerra civil na Libéria o fizeram fugir para a Nigéria. Em maio de 2012, foi condenado por uma corte internacional a 50 anos de prisão. Desde então, está preso na Grã Bretanha.

Favoráveis à renúncia de De La Rúa, manifestantes bateram panelas durante dias em Buenos Aires
AP
Favoráveis à renúncia de De La Rúa, manifestantes bateram panelas durante dias em Buenos Aires


Argentina: Fernando de la Rúa (2001)

Renunciou durante uma revolta popular que deixou 23 mortos, provocada por uma crise econômica. Após a saída, três presidentes assumiram o posto interinamente até a Assembleia Legislativa eleger Eduardo Duhalde, em 2002.

Peru: Alberto Fujimori (2000)

Governou por dez anos antes de ser deposto e abandonar o país rumo ao Japão, em meio a protestos por denúncias de corrupção. Em 2005, foi preso em visita ao Chile e extraditado para o Peru. Fujimori foi condenado à pena máxima de 25 anos por corrupção e participação em grupos de extermínio, entre outros crimes.

Rússia/União Soviética: Boris Yeltsin (1999) e Mikhail Gorbatchev (1991)

Após promover várias reformas que levariam à dissolução da União Soviética, Gorbatchev sofreu um golpe de Estado. Ele conseguiu retornar ao cargo, mas teve a liderança comprometida e extinguiu seu posto, entregando o poder ao então presidente da Rússia, Boris Yeltsin. Este, por sua vez, governou por oito anos e renunciou desgastado por uma grave crise econômica e tentativas de impeachment.

Ruanda: Juvénal Habyarimana (1994)

O governante presidiu o país por 20 anos, até ser morto quando o avião em que viajava foi alvejado  durante um atentado que também matou o presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira. O assassinato acirrou as tensões étnicas que desencadearam o Genocídio de Ruanda, no qual um milhão de pessoas foram mortas.

Venezuela: Carlos Andrés Pérez (1993)

Pérez foi destituído pelo Congresso, acusado de desviar dinheiro de um fundo presidencial. Antes do impeachment, sofreu duas tentativas de golpe de Estado em 1992, uma delas liderada pelo então capitão Hugo Chávez. O próprio Chávez sofreria uma tentativa de golpe após se eleger presidente, em 2002.

Deposto em 1992, Collor é senador e votou pela abertura do  impeachment contra Dilma Rouseff
Waldemir Barreto /Agência Senado
Deposto em 1992, Collor é senador e votou pela abertura do impeachment contra Dilma Rouseff


Brasil: Fernando Collor de Mello (1992)

Governou por dois anos até sofrer um impeachment pelo Congresso, acusado de corrupção. Em 1994, o Supremo Tribunal Federal o inocentou das acusações por falta de provas. Voltou à vida pública em 2007 ao se eleger senador, cargo que ocupa até hoje.

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