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Presidente do Senado, que nos últimos dias se afastou de Dilma e passou a avalizar Temer, disse que vai se esforçar para concluir a votação sobre a presidente ainda nesta quarta-feira

Estadão Conteúdo

Renan esteve na terça com o beneficiário direto do afastamento de Dilma, o vice Michel Temer
Jefferson Rudy/Agência Senado - 9.5.16
Renan esteve na terça com o beneficiário direto do afastamento de Dilma, o vice Michel Temer

A presidente Dilma Rousseff chega isolada politicamente à votação que deve instaurar o processo de impeachment por crime de responsabilidade. Nem com seu maior aliado no Congresso Nacional no segundo mandato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ela pode mais contar. A pouco para o afastamento da petista do Palácio do Planalto, o peemedebista tem se reaproximado de Michel Temer, que assume a Presidência da República interinamente caso Dilma seja afastada. 

Renan esteve na terça-feira (10) com o beneficiário direto do afastamento de Dilma, o outrora desafeto dentro do PMDB e vice-presidente Michel Temer. Com o afastamento da presidente, ele vai assumir o comando do País por até 180 dias, período em que o Senado julgará se a petista cometeu crime por ter editado seis decretos de créditos suplementares sem o aval do Congresso e o Tesouro Nacional ter atrasado o pagamento de débitos com órgãos públicos, as chamadas pedaladas fiscais.

O presidente do Senado, que nos últimos dias se afastou de Dilma e passou a avalizar Temer, disse que vai se esforçar para concluir a votação sobre a presidente ainda nesta quarta-feira (11). Está prevista uma maratona de discursos e questionamentos à votação, com início previsto às 9h.

Pelo calendário, o encontro será realizado em três blocos, com intervalo de uma hora entre cada um deles: o primeiro ocorrerá das 9h ao meio-dia; o segundo, das 13h às 18h; e o terceiro começa às 19h e vai até o fim da votação. Renan disse que a tendência é de que os dois primeiros blocos sejam reservados para manifestações dos senadores, favoráveis e contrários ao afastamento de Dilma. Cada senador falará por até 15 minutos.

Uma lista de inscrição dos senadores foi aberta às 15h de segunda-feira e, até o início da noite de terça, 66 dos 80 parlamentares tinham confirmado que iriam falar – o presidente do Senado não vai se manifestar nem votar, apenas conduzir os trabalhos.

O terceiro bloco da sessão do impeachment, segundo Renan, estará reservado para os últimos senadores que queiram se manifestar. Em seguida, o relator do pedido de abertura de processo na Comissão Especial do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, vão se manifestar também pelo prazo de 15 minutos.

Com o afastamento da presidente, Michel Temer assume o comando do País por até 180 dias
Reprodução
Com o afastamento da presidente, Michel Temer assume o comando do País por até 180 dias


Questionamentos
Renan também afirmou estar pronto a responder questionamentos do governo e de aliados de Dilma no Senado durante a sessão. "Qualquer questão de ordem, ela será respondida na oportunidade."

Ao fim das manifestações, o presidente do Senado colocará em votação o pedido em desfavor de Dilma, em votação por meio do painel eletrônico. Ao contrário da Câmara, cuja votação nominal durou seis horas e dois minutos, a votação no Senado deverá ser rápida. A presidente será afastada se a maioria dos senadores – com o registro de presença de pelo menos 41 deles – concordar com o parecer de Anastasia. O pedido de impeachment será arquivado se isso não ocorrer – hipótese tida como pouco provável.

A comunicação do afastamento de Dilma, se for aprovado, será feita pessoalmente pelo primeiro-secretário do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO). Se isso ocorrer, Temer assumirá automaticamente sem direito à cerimônia de posse. A expectativa é que notificação da presidente ocorra ainda nesta quarta-feira, caso a votação siga o cronograma previsto por Renan, ou apenas na quinta-feira (12) pela manhã.

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