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Renan Calheiros estaria atendendo a pedido de Dilma, que gostaria de ver saída do senador antes do seu afastamento

Estadão Conteúdo

Senador enfrenta processo desde que foi preso acusado de tentar subornar delator Nestor Cerveró
Wilton Junior/Estadão Conteúdo - 9.5.16
Senador enfrenta processo desde que foi preso acusado de tentar subornar delator Nestor Cerveró


Após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovar o prosseguimento do processo de cassação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), o plenário da Casa votará a medida ainda terça-feira (10), um dia antes do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Desta forma, mantém-se a previsão original feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de votar o pedido de perda de mandato do ex-líder do governo na Casa antes da votação em plenário sobre a abertura do impeachment de Dilma – o que teria sido um pedido da própria presidente a Calheiros.

Antes, a CCJ havia aprovado um pedido de suspensão do processo até quinta-feira (12) para que a Procuradoria-Geral da República tivesse tempo de enviar para o órgão a denúncia formulada a partir da delação premiada do ex-petista. No entanto, após revolta no plenário do Senado, foi aprovado um requerimento de urgência de Romero Jucá (PMDB-RR) para que a Comissão votasse o parecer de senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) pela cassação do senador.

Renan Calheiros chegou a ameaçar não realizar a votação que pode determinar o afastamento da presidente Dilma Rousseff se a perda de mandato de Delcídio não fosse discutida antes. Renan e Jucá trabalharam durante a última semana para garantir que Delcídio fosse cassado antes da votação do impeachment de Dilma.

Articulação

Aloysio Nunes, do PSDB, tentou adiar cassação para incluir denúncias ao ex-presidente Lula
Waldemir Barreto/Agência Senado
Aloysio Nunes, do PSDB, tentou adiar cassação para incluir denúncias ao ex-presidente Lula


O adiamento da decisão sobre o processo de cassação de Delcídio havia sido concedido pela CCJ após um requerimento apresentado pelo tucano Aloysio Nunes (PSDB-SP) pedir a suspensão do processo até que o Senado tivesse acesso aos novos fatos incluídos no processo contra o ex-petista. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alegou na última terça (3) que Lula, o pecuarista Carlos Bumlai e seu filho, Maurício, também tiveram participação na tentativa de compra de silêncio do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O pedido de Nunes foi endossado por outros tucanos, que pediram a palavra para apoiar o adiamento da votação contra Delcídio. "Evidentemente esse aditamento traz o chamado ‘fato novo’, fundamental para a defesa. E o princípio da defesa, nós não podemos desprezá-lo, ainda mais num processo com essas características", disse um dos defensores do adiamento, o relator do processo contra Dilma, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Em sessão plenária, contudo, os senadores da CCJ voltaram atrás e entenderam que o colegiado deveria apenas opinar se o processo por quebra de decoro do ex-petista está de acordo com os preceitos constitucionais, legais e regimentais. Renan e Jucá argumentavam que somente o Conselho de Ética do Senado tinha poderes para apreciar provas – essa comissão, entretanto, já concluiu seus trabalhos a respeito da questão.

Veja a votação da última sexta (6) que aprovou relatório pela cassação de Dilma:


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