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Parlamentares da sigla classificam como "palhaçada" atitude do deputado e chamam de “insustentável” sua permanência

Estadão Conteúdo

Partido Progressista vai alegar que posição como 1º vice-presidente da Câmara pertence à legenda
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo - 9.5.16
Partido Progressista vai alegar que posição como 1º vice-presidente da Câmara pertence à legenda


A Executiva Nacional do Partido Progressista (PP) pretende manter a decisão de aprovar, ainda nesta terça-feira (10), a suspensão temporária do presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), mesmo após ele ter revogado ato que anulou a sessão na qual a Câmara aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A bancada do PP na Câmara também não deve voltar atrás quanto à decisão de fechar questão a favor da expulsão definitiva do parlamentar maranhense da legenda. De acordo com o líder do partido na Casa, deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), a reunião em que a questão será definida foi mantida.

Depois das críticas devido à decisão, Maranhão revogou, no início da madrugada, o ato assinado por ele próprio na manhã anterior, sem apresentar justificativas para a nova medida. Deputados da cúpula do PP classificaram a atitude como "palhaçada" e disseram que, mesmo com a revogação, a permanência dele no partido se tornou insustentável. Segundo parlamentares, o presidente interino da Câmara tentou procurar a direção da legenda para pedir que o processo de expulsão fosse interrompido, mas não obteve sucesso.

O pedido de afastamento cautelar de Maranhão foi solicitado pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ) junto com a proposta de expulsão definitiva, após o parlamentar maranhense acatar recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e anular a sessão da Câmara que aprovou a abertura do processo de impeachment. 

No pedido, Lopes solicita a saída de Maranhão usando como argumento o fato de o colega ter votado contra o impeachment da presidente Dilma na Casa, contrariando decisão interna do partido. O PP tinha fechado questão a favor do impedimento de Dilma, o que lhe permitiria aplicar punições em parlamentares dissidentes. 

O deputado fluminense pede que, enquanto o processo de expulsão definitiva não for analisado, a Executiva Nacional suspenda Maranhão temporariamente do partido. O pedido cautelar foi uma saída encontrada pelos deputados do PP para afastar o presidente interino da Câmara da legenda mais rapidamente, uma vez que a expulsão definitiva levará mais tempo.

Maranhão já tinha sofrido uma punição por ter votado contra o impeachment na Câmara ao ser destituído da presidência do diretório regional do PP em seu Estado. No lugar dele, o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), nomeou presidente o deputado federal André Fufuca, que se filou à legenda recentemente, após deixar o PEN.

Perda imediata do cargo
Logo após a suspensão cautelar de Maranhão, a cúpula do PP pretende pedir a perda imediata do cargo dele de 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados. Na interpretação de parlamentares do partido, embora Maranhão tenha sido eleito para o cargo, o posto pertence ao partido. A decisão, contudo, poderá ser contestada.

Segundo o 1º secretário da Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), o pedido de perda do cargo só caberia se o presidente interino tivesse deixado o partido por vontade própria. Além disso, na Casa já há precedentes: o deputado Felipe Bornier (RJ) continuou como 2º secretário mesmo após migrar do PSD para o PROS por vontade própria.

Veja a votação de parecer favorável ao impeachment em Comissão do Senado:


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