Tamanho do texto

Mantega foi levado para prestar depoimento obrigatório após ter sido citado por um dos investigados da Operação Zelotes

O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega: condução coercitiva o obrigou a prestar depoimento
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr – 31.10.2013
O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega: condução coercitiva o obrigou a prestar depoimento

Ministro da Fazenda nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Guido Mantega foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal como parte das investigações da Operação Zelotes, na manhã desta segunda-feira (9), na Superintendência PF em São Paulo.

A condução coercitiva do ex-ministro foi um pedido da PF à Justiça com apoio do Ministério Público Federal. Foi a segunda solicitação do gênero envolvendo Mantega – a anterior não havia sido autorizada. A defesa afirmou que não há nada a esconder sobre o seu cliente.

A investigação apura a ligação de Mantega com uma empresa suspeita de comprar decisões – por meio da compra de Medidas Provisórias – do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão subordinado ao Ministério da Fazenda, na época em que comandava a pasta. O conselho é responsável por julgar recursos de multas de grandes contribuintes

Mantega foi citado por suspeitos como sendo amigo de um dos alvos da fase da Zelotes, que teve nova fase deflagrada nesta segunda-feira (9). De acordo com informações da TV Globo, a PF deve cumprir um total de 30 mandados, no Distrito Federal e nos Estados de Pernambuco e São Paulo.

Além de condução coercitiva, os mandados incluem pedidos de busca e apreensão. 

Fachada do Ministério da Fazenda: investigado, conselho de administração é subordinado à pasta
Google - Reprodução
Fachada do Ministério da Fazenda: investigado, conselho de administração é subordinado à pasta

Amigo de Mantega
A condução de Mantega faz parte da nova fase da operação, deflagrada pela Polícia Federal e o Ministério Público logo no início da manhã desta segunda-feira. O alvo é a Cimento Penha, firma do empresário Victor Garcia Sandri, amigo do ex-ministro Mantega. 

A empresa teria comprado o então conselheiro do Carf Valmar Fonseca de Menezes para anular seu débito. O MPF sustenta que o ex-ministro nomeou, em junho de 2011, Valmar e também o então conselheiro José Ricardo da Silva – já condenado na Zelotes – para a câmara que analisou o caso do seu amigo. Com isso, a Cimento Penha conseguiu abater débito de R$ 106 milhões em julgamento no Carf.

Mantega já teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados. Também foram ordenadas as mesmas medidas em relação à Coroado Administração de Bens, empresa do ex-ministro petista. A Coluna do Estadão apurou que o MPF solicitou o cumprimento de ao menos 15 mandados de busca e apreensão e 15 conduções coercitivas.

Em e-mails interceptados pela Zelotes, o empresário Victor Sandri menciona o nome de Mantega em conversas com o então conselheiro Valmar. As investigações teriam encontrado pagamento de R$ 15 milhões para empresa de auditoria e consultoria vinculada ao conselheiro do Carf.

* Com Estadão Conteúdo