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Presidente da República alega que deputado federal cometeu ato de vingança ao aceitar abertura de ação de impeachment

Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff durante discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira (5)
Wilton Junior/Estadão Conteúdo - 04.05.16
A presidente Dilma Rousseff durante discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira (5)

Ao lado do ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidência, a presidente Dilma Rousseff se mostrou satisfeita com a decisão, que "obviamente achou justa", do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, de afastar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de seu mandato na Câmara dos Deputados, na manhã desta quinta-feira (5).

A análise do Planalto é que a liminar mostra que não há dois pesos e duas medidas no Supremo, já que é uma "decisão correta em relação a uma pessoa que é réu". No entanto, para alguns interlocutores da presidente, a decisão "demorou demais para ser tomada" e pode, inclusive, embasar questionamentos a respeito da condução do processo do impeachment da presidente na Câmara.

No Palácio do Planalto todos evitaram comemorações, analisando ainda ser preciso esperar a decisão do plenário do Supremo sobre o peemedebista, que viria na parte da tarde. Além disso, há receio em relação à reação de Cunha, que deve usar de todos os meios possíveis para tentar reverter a decisão e, se cair, "não vai cair sozinho, vai cair atirando".

Relator da Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) feito em dezembro passado. Na peça, o ministro descreve 11 situações apontadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que embasam o pedido de afastamento. Em síntese, o PGR sustenta que os elementos demonstram que Cunha "transformou a Câmara dos Deputados em um balcão de negócios e o seu cargo de deputado federal em mercancia, reiterando as práticas delitivas".

Está prevista para a tarde desta quinta-feira (5) a sessão do julgamento da ação protocolada pela Rede Sustentabilidade que pede o afastamento de Cunha. O ministro Teori pretende levar a decisão tomada durante a madrugada para ser referendada pelo plenário da Corte.

Na véspera, a notícia de que o afastamento de Cunha poderia ser julgado nesta quinta-feira foi vista com ceticismo no Planalto. Para interlocutores da presidente, "dificilmente o Supremo vai sair desta postura protelatória" e a aposta era de que alguém iria pedir vista e deixar para decidir após o julgamento da admissibilidade do impeachment no Senado.

Caras e caretas de Eduardo Cunha:

Agenda
Dilma embarcou às 9h05 para o Pará onde participaria de dois eventos nesta quinta-feira. A presidente foi com o avião reserva já que o principal está em manutenção e só voltará a operar no final de semana. A previsão era de que ela desembarcasse em Altamira por volta das 11h05 e seguisse a Vitória do Xingu para participar cerimônia de início da operação comercial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

À tarde, Dilma iria para Santarém, onde realizaria entrega de 3.081 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A previsão é de a cerimônia contaria com entregas simultâneas de 1.230 casas em Uberaba (MG), 1.200 em Camaçari (BA), 600 em Campos dos Goytacazes (RJ) e 486 em Itapipoca (CE). 

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