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Decisão do STF pegou parlamentares de surpresa, e deputados já admitem pensar em eleição para novo presidente da Câmara

Eduardo Cunha foi afastado temporariamente após decisão do ministro Teori Zavascki
Valter Campanato/ Agência Brasil
Eduardo Cunha foi afastado temporariamente após decisão do ministro Teori Zavascki

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar temporariamente o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pegou parlamentares de surpresa. Mesmo assim, a liminar fez alguns políticos começarem a pensar em formas de substituí-lo.

De acordo com o líder do DEM na Casa, Pauderney Avelino (AM), a tendência agora é que os deputados iniciem a busca por um novo nome para substituir Eduardo Cunha na presidência “Ainda é cedo, mas deveremos tentar buscar, na medida do possível, um nome que venha a substituir o presidente na direção da Câmara”, disse.

“Todos nós fomos pegos de surpresa”, admitiu o líder do PSD, deputado Rogério Rosso (DF), que soube da notícia pela internet. Segundo ele, ainda é cedo para fazer uma avaliação. “O momento agora é de muita serenidade, para que não haja nenhum tipo de excesso, se preserve a Constituição e a normalidade institucional”, afirmou Rosso.

Por outro lado, parlamentares governistas comemoraram a decisão da Justiça. Foi o caso do líder do PT, Afonso Florence (BA) - na sua opinião, a decisão desta quinta-feira está baseada “em provas robustas” e poderá repercutir no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que analisa uma representação contra o presidente afastado por quebra de decoro parlamentar, protocolada pelo PSOL.

"Ele não vai mais liderar esse processo [tramitação da representação], e acredito que não haverá mais nenhum parlamentar que se disponha a cometer as mesmas ilegalidades. Tenho a impressão que a agora a investigação deve ocorrer com menos obstáculos", analisou.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que o STF "tardou mas não falhou", e disse esperar que a Casa esteja livre da "figura nefasta" do peemedebista. "Eduardo Cunha é incompatível com a função parlamentar e com a direção da Casa", declarou.

Já os aliados de Cunha não se posicionaram sobre o afastamento. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), deixou a residência oficial da Câmara dos Deputados, onde estava reunido com Cunha, na manhã desta quinta-feira. Paulinho não falou com a imprensa. O deputado Benjamin Maranhão (SD-PB), que também estava reunido com Cunha, já deixou o local.

Comemoração

Do lado petista, a decisão do STF foi recebida como uma espécie de "vingança" contra Eduardo Cunha, que foi o responsável por autorizar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que tramita agora no Senado.

O senador Lindbergh Faria (PT-RJ), que integra a comissão de análise do afastamento de Dilma, postou em sua página no Facebook uma foto em que aparece Cunha, seguido da frase "Tchau, Ladrão" - uma referência aos cartazes de "Tchau, querida", usados pela oposição para se referir ao impeachment da petista.

Mesmo parlamentares que integram a oposição postaram imagens e textos comemorando. O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), por exemplo, publicou uma foto de Cunha atrás das grades.

Veja a repercussão dos parlamentares nas redes sociais:


*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Câmara Notícias

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