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Presidente volta a rechaçar renúncia, gesto que seria "mais confortável" para aqueles que querem ocupar o seu lugar; "a injustiça continuará visível", afirmou a petista nesta terça-feira

Dilma Rousseff durante a cerimônia de chegada da tocha olímpica ao Brasil no Palácio do Planalto
Andressa Anholete/Framephoto/Estadão Conteúdo - 3.5.16
Dilma Rousseff durante a cerimônia de chegada da tocha olímpica ao Brasil no Palácio do Planalto

A presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar nesta terça-feira (3), durante cerimônia do Plano Safra da Agricultura Familiar no Palácio do Planalto, que não irá renunciar ao cargo. Segundo ela, mais de uma vez pediram que deixasse a Presidência da República voluntariamente, mas isso, enfatizou, seria "mais confortável" para os que querem ocupar o seu lugar.

"Se eu renunciar, se esconde para debaixo do tapete esse impeachment sem base legal e, portanto, esse golpe. É confortável para os golpistas que a vítima desapareça", disse.

A plateia, formada por integrantes de movimentos sociais do campo, aplaudia e a todo instante gritava palavras de ordem: "Não vai ter golpe, vai ter luta" e "no meu País eu boto fé porque ele é governado por mulher."

"É confortável que a injustiça não seja visível. Pois eu quero dizer para vocês: a injustiça vai continuar visível", disse ao falar que não renunciaria. "Nós estamos fazendo história porque a democracia é, sem sombra de dúvida, o lado certo da história", afirmou.

Representantes dos movimentos sociais também discursaram, com críticas ao processo de impeachment. Eles também fizeram críticas diretas ao vice-presidente Michel Temer, que deve assumir o lugar de Dilma caso o Senado aprove a admissibilidade do processo de impeachment, em 12 de maio; e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deu início ao processo na Câmara.

"Temer e Cunha, a batata de vocês está assando", afirmou Anderson Amaro, da Via Campesina. "Golpistas, não os deixaremos governar nem um só dia até estabelecermos a normalidade democrática", disse. Além dele, também discursaram os presidentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf).

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