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Senadores aliados de Dilma solicitavam a órgãos públicos documentos que serviriam contra acusação das pedaladas

Estadão Conteúdo

Anastasia alega que documentos novos não devem ser apresentados nesta fase do processo
Agência Senado - 26.04.2016
Anastasia alega que documentos novos não devem ser apresentados nesta fase do processo

O relator da Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal, Antonio Anastasia (PSDB-MG), rejeitou todos os requerimentos de senadores governistas que requisitavam documentos a órgãos públicos que poderiam servir de prova contra a acusação de pedaladas fiscais das quais a presidente Dilma Rousseff é acusada.

A decisão gerou ataques de aliados de Dilma como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-PB) e Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM), que voltaram a criticar o fato de o relator tucano já ter opinião formada sobre o processo e de o seu partido, o PSDB, fazer parte da denúncia que pede o impeachment de Dilma. No início da semana, os aliados da presidente já haviam protestado contra a escolha de Anastasia ou qualquer outro nome tucano para relatar a comissão. 

O ex-governador de Minas Gerais alegou que diligências e documentos novos não devem ser apresentados ou analisados na atual fase do processo, em que a comissão discute apenas a admissibilidade da denúncia enviada pela Câmara. Em seu entendimento, novos documentos devem ser analisados apenas no julgamento da ação.

Os governistas exigiam notas taquigráficas, certidões de decreto de créditos suplementares e comprovações de subvenções do Plano Safra.

Para o senador petista Lindbergh Farias, recusa do relator é cerceamento do direito de defesa
Geraldo Magela/Agência Senado - 19.2.16
Para o senador petista Lindbergh Farias, recusa do relator é cerceamento do direito de defesa

"Queremos demonstrar que não houve participação da presidente, que não houve crime, por isso pedimos para apresentar essas certidões. Nos impedir de trazer esses documentos é cercear o nosso direito de defesa", criticou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Com a negativa do relator, os governistas pediram que os requerimentos fossem postos em votação. Para garantir, entretanto, maiores chances de aprovar os pedidos, eles exigiram que a votação fosse realizada somente após a apresentação dos denunciantes, autores do pedido de impeachment, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal.

Como os governistas são minoria na comissão, a estratégia era fazer a votação apenas mais tarde, com menos senadores presentes e com a possibilidade de conseguirem maioria. Os governistas representam apenas 5 dos 21 membros do grupo que analisa a admissibilidade do processo de impeachment no Senado.

Veja os integrantes da comissão especial do impeachment no Senado:


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