Plano é "barrar o golpe e inviabilizar o governo Temer", diz líder do MST

João Pedro Stédile reconheceu que movimentos sociais não conseguiram ainda a adesão da grande “massa” da população
Foto: Igo Estrela/Framephoto/Estadão Conteúdo - 16.04.16
Dirigente dos sem-terra, Stédile defende paralização geral contra o impeachment de Dilma













O plano dos movimentos sociais após a admissão no domingo (17) do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados é promover uma paralisação geral antes do fim do processo no Senado, afirmou um dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em entrevista ao programa Espaço Público, da TV Brasil. O objetivo do movimento, segundo João Pedro Stédile, é inviabilizar um eventual governo do vice-presidente Michel Temer.

Para Stédile, quem articula o que ele chamou de “golpe” contra Dilma é uma parcela da "burguesia", principalmente aquela ligada ao setor financeiro, cuja meta principal não é a troca do presidente, mas a implantação de medidas neoliberais que os movimentos sociais "não aceitarão". Stédile descartou que o pedido por novas eleições gerais entre na pauta de reivindicações. “Neste momento, temos que barrar o golpe e inviabilizar o governo Temer”, afirmou Stédile na entrevista, veiculada na noite de terça-feira (19).

Os movimentos reunidos sob a Frente Brasil Popular, entre eles grandes centrais sindicais, como a CUT, reúnem-se entre terça e quarta-feira para definir uma data para uma eventual paralisação geral, antes da conclusão do processo de impeachment no Senado. “Qual é a arma que a classe trabalhadora tem nesse momento? É dizer para a burguesia: olha, nós não aceitamos plano neoliberal, não aceitamos perder direitos e não aceitamos perder salário. Para ela dizer isso para os golpistas, tem que fazer uma paralisação nacional”, disse o líder dos sem-terra.

O dirigente do MST reconheceu que, para além da militância organizada, os movimentos sociais não conseguiram angariar, até agora, uma adesão expressiva da grande “massa” da população às manifestações contra o afastamento de Dilma, mas ele disse acreditar que a juventude deva reagir. Stédile avaliou que, mesmo que consiga barrar o impeachment, o governo Dilma de 2014 e 2015 estará “acabado”, dando lugar a um governo “Lula 3”, no qual o ex-presidente terá papel central na formação de um novo gabinete de ministros e na implantação de uma nova agenda econômica.

Veja fotos das manifestações contra e a favor do impeachment de Dilma Rousseff:


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