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Cid Gomes pediu o impeachment de Michel Temer nesta sexta-feira

Cid Gomes, demitido depois de bater boca com o presidente da Câmara, tenta a abertura de um processo de investigação contra Temer
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 1.4.16
Cid Gomes, demitido depois de bater boca com o presidente da Câmara, tenta a abertura de um processo de investigação contra Temer







Além de não ter educação, Cid Gomes aparenta também ser um 'Sem Noção', querendo o impeachment do vice-presidente Michel Temer com base em mentiras, afirmações e conclusões descabidas.

O que ele não percebeu é que a população já está cheia de políticos que criam factóides para aparecer na TV ou barganhar cargos aproveitando-se do momento de crise pela qual o governo Dilma atravessa e que precisa desesperadamente de apoio de pequenos partidos para tentar escapar do impeachment.

A assessoria de Michel Temer informou ao iG que as acusações são descabidas e nem merecem atenção.

O dia de Cid
A decisão do ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), de protocolar nesta sexta-feira (1º) um novo pedido de investigação e impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), na Câmara dos Deputados, baseou-se em citações nas investigações da Operação Lava Jato que envolvem suposto pagamento de propina e favorecimento ao PMDB e ao presidente de seu partido.

Cid Gomes, então no PROS, saiu pela porta dos fundos do Ministério da Educação, em março de 2015, menos de três meses depois de tomar posse. A demissão aconteceu depois de o então titular do MEC trocar ofensas com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que na época ainda apoiava o governo. Ao ir ao plenário para se explicar sobre uma polêmica declaração (ele disse em um evento que a Casa tinha "de 300 a 400 achacadores"), Gomes respondeu a Cunha, que o chamou de "mal-educado". "Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser como ele, acusado de achaque".

Dependente do apoio do PMDB, Dilma demitiu seu ministro da Educação para contornar o mal-estar com o presidente da Câmara.

O PDT, nova legenda dos irmãos Cid e Ciro Gomes, tem se posicionado contra o impeachment de Dilma Rousseff, julgado por uma comissão na Câmara dos Deputados. O ex-governador do Ceará acusa Temer de crime de responsabilidade com base na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do doleiro Alberto Yousseff, além de informações sobre suposto repasse de R$ 5 milhões da empreiteira OAS para o vice-presidente. Na última vez que esteve na Câmara, no ano passado como ministro, Cid apontou em plenário supostos "achacadores" do governo, entre eles Cunha. Segundo ele, havia na Casa pessoas que se aproveitam da dificuldade do governo para cobrar mais.

"De lá para cá, o que tem sido apurado é que eu estava absolutamente correto. Há aqui uma prática de achaque. Eu penso que o Executivo acaba sendo muito mais vítima do que protagonista do balcão de negócios", declarou o ex-ministro ao comentar as negociações de cargos no governo no momento em que a presidente Dilma Rousseff está em vias de ser afastada pelo Congresso. Cid defendeu mudanças na relação entre Executivo e Legislativo "sob pena do País se tornar ingovernável".

Contra Temer

Trata-se do quarto pedido de impeachment protocolado contra Michel Temer. Os pedidos começaram a ser apresentados nos últimos meses de 2015. Dois já foram indeferidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e um – do deputado Cabo Daciolo (sem partido-RJ) – aguarda apreciação. Cid Gomes pede para que o pedido seja analisado pelo vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), porque Cunha também é investigado na Operação Lava Jato e ambos são do mesmo partido.

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