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Presidente do PMDB desde 2001, vice vem sinalizando afastamento do governo desde início do 2º mandato de Dilma; ápice foi a divulgação de carta ao Planalto, em dezembro

Temer:
TARSO SARRAF/ESTADÃO CONTEÚDO
Temer: "Perdi o protagonismo que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo"

Eleito vice-presidente da República no pleito que manteve o Partido dos Trabalhadores no Poder após oito anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer teve grande peso no rompimento do PMDB com o Palácio do Planalto, anunciado na tarde desta terça-feira (29), após meses de tensão com o partido de Dilma Rousseff.

Inicialmente contido em relação às críticas à presidente, que perseguiram Dilma desde o início de seu segundo mandato, em 2015, o primeiro na linha sucessória da Presidência começou a sinalizar o descontentamento que parte do PMDB já demonstrava ter com o governo em setembro – ocasião em que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já anunciara seu rompimento com o Planalto. 

Presidente nacional do PMDB desde 2001, Temer foi um dos protagonistas do programa partidário da legenda que trazia o slogan, baseado em uma frase do vice, de que era preciso "alguém para reunificar o País", lançado naquele mês. Composto por 50 nomes de maior destaque dentro do partido, o vídeo de 10 minutos trazia as primeiras críticas abertas do PMDB ao governo Dilma, que vinha se desgastando desde o início do ano com a crise econômica e os primeiros passos dos movimentos pró-impeachment.

O ápice da má relação de Temer com Dilma se deu meses depois, em dezembro, quando foi divulgada uma carta do vice endereçada à presidente na qual ele reclamou da forma como era tratado pela petista – classificando-se como "mero vice decorativo" – e externou uma série de insatisfações com o governo federal. 

"Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas", escreveu na ocasião. "Sei que a senhora [Dilma] não tem confiança em mim e no PMDB hoje e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção."

Desde então, a situação só ficou mais tensa. A condução coercitiva – depoimento obrigatório – de Lula, autorizada pela Justiça Federal, e a divulgação de grampos envolvendo conversas do ex-presidente com Dilma, aumentaram a pressão interna peemedebista para deixar o governo. Os protestos com número de recorde de participantes, em 13 de março, reforçaram a tendência.

A Convenção Nacional do partido, realizada um dia antes dos atos que já prometiam ser gigantescos, praticamente oficializou o rompimento com Dilma. Na ocasião, o PMDB proibiu filiados de assumirem novos cargos no governo e anunciou que decidiria em 30 dias – prazo encerrado nesta terça-feira (29) – se desembarcava ou não da base aliada em meio ao apoio cada vez mais aberto de boa parte de seus representantes ao impeachment. Ao mesmo tempo, intensificou ainda mais relação com opositores tucanos e de outros partidos de oposição, que já vinha desde o final de 2015.

Temer é um dos importantes nomes do cenário político nacional que apareceram nas delações premiadas da Operação Lava Jato. De acordo com o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), o vice de Dilma articulou a indicação de Jorge Zelada, apontado como elo do esquema de corrupção investigado, para a diretoria da área internacional da Petrobras, e de João Augusto Henriques para a BR Distribuidora. O peemedebista nega as acusações. 

Relação com o PDMB vem se deteriorando desde que Dilma Rousseff se tornou presidente
Roberto Stuckert Filho I PR
Relação com o PDMB vem se deteriorando desde que Dilma Rousseff se tornou presidente

Quase 30 anos de política
Nascido em 23 de setembro de 1940 em Tietê, cidade a cerca de 150 km da capital paulista, e graduado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Temer ingressou na carreira pública em 1983, quando chamado para assumir a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo pelo então governador Franco Montoro.

Dois anos depois, filou-se ao PMDB, pelo qual se elegeu deputado federal por São Paulo pela primeira vez em 1986 – sendo reeleito para o cargo outras quatro vezes nos anos seguintes. Foi presidente da Câmara entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2010. Neste último ano, em aliança com o PT, foi eleito vice-presidente na eleição que encaminhou Dilma ao Palácio do Planalto. 

Temer tem cinco filhos de três casamentos. Os dois caçulas são frutos de seu relacionamento com Marcela Temer, 43 anos mais jovem do que o vice-presidente, com quem está casado desde 2003. 

Veja os ministérios que foram e os que são comandados pelo PMDB:


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