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Acusação de que quebra do sigilo foi atentado contra foro privilegiado de Dilma é infundada, afirma presidente da Ajufe

O juiz Moro retirou sigilo das gravações de interceptações telefônicas da PF que envolvem Lula
Alan Sampaio / iG Brasília
O juiz Moro retirou sigilo das gravações de interceptações telefônicas da PF que envolvem Lula

O juiz Antonio César Bochenek, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe) afirma que foi legal a decisão do juiz Sérgio Moro de quebrar o sigilo das interceptações telefônicas de Luís Inácio Lula da Silva (PT). "O ex-presidente não tinha prerrogativo de foro até hoje de manhã, foi um ato legal", declara Bochenek. "[O despacho que quebra o sigilo] podia ser publicado a qualquer momento. A partir do momento que ele encerra a interceptação, ele pode divulgar o que quiser", diz. 

Grupos pró-governo questionam a decisão de Moro e o acusam de atentar contra o foro privilegiado da presidente Dilma Rousseff, ao retirar o sigilo de gravações de uma conversa entra ela e Lula. Em um dos áudios, a presidente afirma a Lula que o termo de posse (de ministro da Casa Civil) está pronto, "caso ele precise usar". Bochenek defende a atitude de Moro e diz que não há atentado contra Dilma, já que o telefone interceptado pertencia ao secretário de Lula e não a ela. "Fortuitamente, pegou a presidente Dilma, assim como pegou ministros e outras autoridades." 

Protesto em São Paulo

Durante o protesto que acontece ao longo desta quinta-feira (17) em São Paulo, juízes federais se manifestaram em favor da independência judicial do juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato. Simultaneamente, um ato ocorreu em Curitiba. 

Por meio da leitura de um manifesto, a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) junto da Associação dos Juízes Federais do Paraná (Apajufe) manifestou-se em favor da independência judicial de Sérgio Moro e dos demais magistrados envolvidos na Operação Lava Jato. "A construção de uma sociedade livre, justa e solidária depende de um Poder Judiciário forte e independente", afirma a nota. Os magistrados se afirmam vigilantes sobre possíveis interferências em processos. "Estamos vigilantes e atentos a tentativas temerárias de ingerência nas decisões judiciais por outros meios que não os estabelecidos na ordem jurídica" . 

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