Tamanho do texto

Procurador-geral pode anunciar a abertura de inquérito contra Dilma sobre a suspeita de agir para tentar obstruir os avanços das investigações da Operação Lava Jato

Janot passou parte da madrugada num dos restaurantes do hotel onde está hospedado na Suíça escutando aos trechos das gravações e as reações das ruas
Fellipe Sampaio/SCO/STF - 11.03.2015
Janot passou parte da madrugada num dos restaurantes do hotel onde está hospedado na Suíça escutando aos trechos das gravações e as reações das ruas

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, garante que a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro "não muda nada" para a Justiça e que o Ministério Público tem "couro grosso". Em Berna para reuniões com o Ministério Público da Suíça, Janot pode anunciar em seu retorno ao Brasil a abertura de inquérito contra Dilma sobre a suspeita de agir para tentar obstruir os avanços das investigações da Operação Lava Jato.

Questionado se o foro privilegiado de Lula impediria investigações contra o ex-presidente, Janot garantiu que não. "Vou pegar o processo em Curitiba e transferir para o Supremo", disse. Janot também deixou claro que não se sentiu intimidado. "O MP tem couro grosso", insistiu.

Mais cedo, ele já havia feito seu alerta ao afirmar que "ninguém" é imune a investigações, ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir a abertura de inquérito contra a presidente Dilma Rousseff. " Não podemos dizer o que vamos fazer. Mas o nosso trabalho é republicano. Não há pessoa fora de investigação", disse a dois repórteres brasileiros.

O procurador já havia apontado nessa direção na quarta-feira em Paris diante do conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral. Agora, seus assessores indicam que a possibilidade foi reforçada essa com a divulgação dos telefonemas trocados por ela com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionado se ser presidente impediria um inquérito, ele respondeu : "De jeito nenhum, de jeito nenhum". Diante da insistência dos repórteres, ele disse: "não tem nada decidido". Mas voltou a comentar sobre a imunidade de Dilma." Ninguém (está imune), ninguém".

Ingratidão

Janot ainda respondeu aos comentários de Lula criticando, em uma gravação telefônica, sua "gratidão". "Essa é a gratidão. Essa é a gratidão dele por ele ser procurador", disse Lula ao advogado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas no dia 7 de março. Lula insistia que Janot tinha recusado quatro pedidos de investigação de Aécio Neves.

O procurador, na Suíça, contra-atacou. "Os cargos públicos não são dados de presente. Eu sou muito grato a minha família", insistiu. "Fiz concurso. Estudei pra caramba. Tenho 32 anos de carreira", completou. Janot foi nomeado ao cargo por Dilma Rousseff, em 2013, e reconduzido em 2015.

Questionado se estava surpreso com o teor das declarações de Lula, respondeu: "por isso eu disse isso".

Janot passou parte da madrugada num dos restaurantes do hotel onde está hospedado na Suíça escutando aos trechos das gravações e as reações das ruas. Ao lado de dois assessores, foi para o quarto perto da 1 da manhã. "Dormi pouco", admitiu essa manhã.

Questionado se havia escutado às gravações das conversas de Lula ele ironizou: "qual delas?". "Eu nem consegui ler os jornais. É muita coisa", disse.

Procuradores da Lava Jato também pediram ao juiz federal Sérgio Moro que encaminhe o caso ao procurador-geral em Brasília e consideraram que existem indícios suficientes para um inquérito.

    Leia tudo sobre: lula