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Reportagem da revista "Veja" desta terça-feira repercutiu entre líderes da oposição, que pedem demissão do ministro de Dilma

Estadão Conteúdo

O senador Delcídio do Amaral: sua delação aproxima Lula e Dilma perigosamente da Lava Jato
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 10/07/2013
O senador Delcídio do Amaral: sua delação aproxima Lula e Dilma perigosamente da Lava Jato

A bombástica delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pode trazer novos problemas à presidente Dilma Rousseff, que já havia sido citada pelo petista por supostamente tentar obstruir investigações do esquema de propinas instalado na Petrobras. De acordo com reportagem publicada no site da revista "Veja", nesta terça-feira (15), o envolvido da vez é o ministro da Educação do governo federal, Aloizio Mercadante.

A publicação afirma que Delcídio disse em sua delação premiada que Mercadante lhe ofereceu dinheiro para evitar uma possível colaboração com a Justiça. A movimentação seria semelhante à do próprio senador da República meses atrás, quando foi preso após ter sido flagrado em uma ligação telefônica propondo ajuda financeira a Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, em troca de seu silêncio e de ajuda para que fugisse do País.

A reportagem logo repercutiu no Congresso Nacional. Pela manhã, líderes da oposição na Câmara dos Deputados já cobravam a demissão de Mercadante do Ministério da Educação.

No acordo de delação premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Delcídio informou que o ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma prometeu dinheiro e ajuda para que o senador deixasse a prisão e escapasse do processo de cassação de mandato no Congresso.

"O governo está em metástase, acabou", comentou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). Diante da denúncia, o parlamentar disse que não há outra alternativa que não seja a demissão imediata do ministro da Educação. "O governo perdeu o mínimo de equilíbrio para continuar governando."

Líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA) lembrou que Delcídio foi preso por tentativa de obstrução das investigações da Operação Lava Jato e que a mesma acusação caberia a Mercadante. "Se (o governo) tivesse dignidade, exoneraria imediatamente o ministro", afirmou.

Segundo a reportagem, o objetivo de Mercadante era evitar que o senador, antes considerado peça-chave do governo na estratégia de evitar o avanço da Operação Lava Jato, fizesse um acordo de delação premiada.

A tentativa de negociação não foi feita diretamente com o senador, que estava preso, mas com seu assessor, José Eduardo Marzagão. A colaboração de Delcídio foi homologada nesta terça-feira pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

Os políticos da lista de Janot investigados na Lava Jato:


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