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Enquanto Matarazzo e Tripoli apostam em seu histórico no PSDB, Doria busca conquistar apoios com grandes eventos

Da esquerda para a direita, os pré-candidatos João Doria, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli
Futura Press
Da esquerda para a direita, os pré-candidatos João Doria, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli

Andrea Matarazzo, Ricardo Tripoli e João Doria estão prestes a enfrentar a disputa de suas vidas. No próximo domingo (28), filiados do PSDB em todo o município de São Paulo vão às urnas para escolher entre um dos três para concorrer ao cargo de prefeito da cidade. E, de olho no cadeira hoje ocupada pelo petista Fernando Haddad, que tentará a reeleição, o trio intensifica suas campanhas junto aos diretórios municipais.

A disputa não é fácil. Oficialmente, Matarazzo conta com o apoio de nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os senadores Aloysio Nunes e José Serra, além de toda a bancada paulistana do PSDB na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Vereadores – à exceção de Mário Covas Neto, presidente do diretório da legenda.

Doria, por sua vez, tem o peso do governador do Estado, Geraldo Alckmin, ao seu lado, enquanto Tripoli vê o deputado federal Bruno Covas e José Anibal, presidente do Instituto Teotônio Vilela – órgão de formação política do partido –, ativos em campanha para que os tucanos abracem sua candidatura. 

"Os apoios são importantes, mas fundamental é a questão dos diretórios, da militância. Eu não fico disputando apoios", exalta o vereador Matarazzo. "Estou há dez anos me preparando para assumir a Prefeitura."

Assim como o concorrente, Tripoli aposta em seu longo histórico no partido para vencer as prévias. "Tenho uma grande intimidade com toda a base, além de me ver como o único realmente capaz de unir o PSDB", discursa o deputado federal. "Sou o deputado federal mais votado de São Paulo. Eu me sinto mais do que pronto para o cargo." 

Enquanto os dois candidatos apostam em seus longos anos de serviços prestados junto às bases tucanas para conseguir a candidatura, Doria tem um histórico bastante diferente para se apoiar. Secretário do Turismo do então prefeito de São Paulo Mário Covas entre 1983 e 1984, o empresário, cada vez mais influente no governo do Estado e também conhecido como apresentador de televisão, tentará nas prévias o direito de disputar o primeiro cargo político em seus 58 anos, 16 como filiado do PSDB.

Andrea Matarazzo ao lado do ex-presidente FHC: aposta em nomes históricos do partido
Divulgação
Andrea Matarazzo ao lado do ex-presidente FHC: aposta em nomes históricos do partido

A falta de experiência como administrador público é classificada por seus concorrentes como um ponto fraco. Doria tenta desconstruir isso, mostrando a característica como positiva. Dono de um rosto conhecido e com grande influência no meio empresarial, ele se apresenta como uma novidade em um momento em que boa parte da população se vê avessa ao mundo político devido às sucessivas denúncias de corrupção nesse meio.

Diariamente, o trio tem visitado, com a ajuda de seus "cabos eleitorais", diretórios municipais e redutos eleitorais em todas as regiões paulistanas, tentando angariar votos de seus filiados. Banners com o número de suas candidaturas, fotos e até jingles, típicos das grandes eleições por cargos executivos e legislativos, têm sido espalhados nas redes sociais ao lado de vídeos de seus conhecidos apoiadores pedindo por votos. Até adesivos têm sido distribuídos.

Na reta final, grandes eventos também se tornaram frequentes. Na segunda-feira (22), Matarazzo levou Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Alberto Goldman ao Edifício Itália, famosa edificação no centro da cidade, em um evento batizado de "Arrancada pela Vitória", amplamente divulgado nas redes sociais.

Dois dias antes, Doria atraiu mais de 600 militantes à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) para um encontro com a presença de secretários do governo Alckmin, do vice-governador, Márcio França, de deputados federais e de lideranças dos partidos aliados do governo estadual – PSB, PPS, DEM e Solidariedade. Por ser conhecido ainda como apresentador, Doria também tem promovido seu nome ao lado de personalidades da TV e cantores, como Carlos Massa, o Ratinho; Adriane Galisteu; e Sérgio Reis.

"Sou empresário, sei fazer as coisas direito e estou bastante animado e confiante com essas prévias. Me tornei um entusiasta delas", diz Doria. "Além disso, tenho o governador ao meu lado, o maior eleitor do Estado, haja vista a porcentagem que ele teve de votos nas últimas eleições. Não trabalho com a possibilidade de não chegar ao segundo turno e não trabalho com a possibilidade de perder as prévias."

O empresário Joao Doria durante evento realizado na capital paulista no último sábado
Divulgação - 20.02.2016
O empresário Joao Doria durante evento realizado na capital paulista no último sábado

Desafio para atrair eleitor 
Apesar da confiança exaltada pelos três, tudo ainda é muito nebuloso na disputa interna do PSDB. No poder do governo do Estado desde 1995, quando Mário Covas assumiu o posto, os tucanos não comandam o Poder Executivo na maior cidade do País desde março de 2006 – mês em que José Serra deixou a Prefeitura para disputar a Presidência da República, cedendo o lugar ao vice, Gilberto Kassab (DEM), hoje ministro das Cidades. Ainda assim, é o único dos grandes partidos a disputar a Prefeitura que ainda não tem candidato definido para o posto. 

As pesquisas de intenção de voto deixam claro esse vácuo. Levantamentos recentes têm mostrado o deputado federal Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Fernando Haddad sempre com ampla vantagem sobre os possíveis candidatos tucanos – com uma baixa média de entre 3% e 5%.

O único levantamento interno sobre a força de cada um dos possíveis candidatos tucanos, com um cenário eleitoral incluindo seus nomes, é descreditado pelos concorrentes de Tripoli, que justificam que ele não tem valor por ter sido encomendado pelo Instituto Teotôno Vilela, presidido por Anibal, apoiador do deputado federal – que aparece na frente, com 7% das intenções de voto, mas muito atrás dos principais concorrentes ao cargo de Haddad.

Presidente do Diretório Municipal do PSDB, o vereador Mário Covas Neto, que vê uma disputa equilibrada principalmente entre Matarazzo e Doria nas prévias, critica o fato de os filiados só poderem optar por seus candidatos agora, deixando os tucanos atrás dos concorrentes há meses com nomes já definidos. Entretanto, faltou organização interna para que isso ocorresse. 

José Anibal e Bruno Covas fazem campanha pela candidatura de Ricardo Tripoli (ao centro)
Divulgação
José Anibal e Bruno Covas fazem campanha pela candidatura de Ricardo Tripoli (ao centro)

"Essas prévias deveriam ter sido feitas em novembro ou dezembro passado, porque assim começaríamos o ano já com um candidato definido, já fazendo campanha para a Prefeitura, não para os filiados. Então, prejudica um pouco o partido", diz o líder tucano na capital paulista. "Ao mesmo tempo, no entanto, de alguma forma estamos mais no noticiário neste momento do que todos os outros partidos. A Marta está sumida, o Russomanno está sumido e o PSDB tem tido destaque diariamente devido à disputa interna."

Além disso, os pré-candidatos ainda têm o desafio de convencer o próprio eleitorado de que, apesar da disputa, o partido não está desunido e de atrair esses filiados a votarem para poder seguir em frente. Nas prévias tucanas das últimas eleições para a Prefeitura paulistana, vencidas pelo senador José Serra para o pleito de 2011, apenas 6,2 mil dos então 21 mil filiados compareceram para votar. Assim, não só atrair apoiadores, os candidatos também precisam provar a eles nos próximos dias sobre a importância de irem às urnas em pleno fim de semana .

"A maioria das pessoas que votam não milita partidariamente no dia a dia, é inativa – o que pode levar qualquer um dos pré-candidatos a vencer. Soma-se a isso o fato de o voto não ser obrigatório, o que dificulta qualquer prognóstico neste momento por não sabermos quem vai realmente se propor a votar", avalia Covas. "Gostaria que chegássemos a 40% de presença entre filiados, o que seria umas 10 mil pessoas. Estimo que, em virtude da disputa, isso possa ocorrer. Mas temos de aguardar."  

Caso nenhum pré-candidato alcance a maioria absoluta de votos – 50% mais um –, os dois melhores colocados disputarão o segundo turno, já marcado para 20 de março. 

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