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Parlamentares afirmam que fatos revelados na Operação Acarajé demonstram que Lava Jato chegou ao Planalto

Agência Câmara

Dilma Rousseff em evento pelo combate ao Aedes Aegypti: fantasma do impeachment retorna
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dilma Rousseff em evento pelo combate ao Aedes Aegypti: fantasma do impeachment retorna

Lideranças dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados anunciaram, nesta terça-feira (23), a criação de um comitê pró-impeachment para sair às ruas do País em defesa do afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Segundo o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), o grupo será formado por políticos de vários partidos, inclusive da base governista, e entidades da sociedade. “Esse movimento se alastrará pelas ruas do Brasil, pelas praças. Vamos fazer movimentos pontuais, sem prejuízo das nossas ações no Congresso Nacional”, afirmou ele.

O parlamentar participou de reunião entre os partidos de oposição na Câmara com representantes do PPS, do PSDB, do PSB e do Solidariedade, além do DEM. Eles prometem no Plenário um manifesto sobre as ações que serão tomadas pelo comitê pró-impeachment, que terá CNPJ e receberá doações.

A oposição também vai apoiar o protesto pró-impeachment convocado para 13 de março pelos movimentos Vem pra Rua e Brasil Livre.

Veja fotos do último grande protesto anti-Dilma, realizado em dezembro:

Planalto afetado
Os parlamentares oposicionistas entendem que os fatos revelados na Operação Acarajé, deflagrada na segunda-feira (22) pela Polícia Federal, demonstram que a Lava Jato chegou ao Palácio do Planalto.

Na nova etapa da operação, foi expedido um mandado de prisão temporária do publicitário João Santana, que trabalhou nas campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Investigadores suspeitam que Santana tenha sido pago com dinheiro de propina relativa a contratos da Petrobras.

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino, em entrevista na segunda-feira
Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 22.02.2016
O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino, em entrevista na segunda-feira

“A população não deseja mais ver a presidente Dilma governando o País depois do estelionato eleitoral. Diante disso, nós temos que apoiar os movimentos para que isso definitivamente tome conta do Congresso Nacional”, defendeu o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

Questionar o STF
Os oposicionistas ainda anunciaram que vão marcar uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, para questionar a decisão da Corte de invalidar, em dezembro, a chapa avulsa adotada pela Câmara para formar a comissão que analisaria o pedido de impeachment da presidente Dilma.

Os deputados também querem agilidade do Supremo na análise dos embargos apresentados pela Mesa Diretora da Câmara, questionando o rito do impeachment. Na avaliação do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Congresso está parado em razão desse impasse.

“Não podemos mais aceitar o Brasil completamente paralisado; a atividade industrial, parada; milhares de trabalhadores perdendo emprego; e o Congresso e o governo, paralisados", atacou ele. "O Congresso está paralisado por causa da decisão do Supremo. Precisamos decidir e fazer andar, votar se tem impeachment ou não, para que o Brasil possa voltar a crescer.”

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