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Pré-candidato afirma que vai "amassar barro" caso seja o indicado dos filiados do PSDB para a disputa na capital

Em tempos de grande descrédito da classe política, com escândalos de corrupção se sucedendo, o empresário João Doria destoa na disputa pela Prefeitura de São Paulo por ser justamente uma “cara nova”.

 Preferido do governador Geraldo Alckmin, ele disputa as prévias do PSDB no próximo domingo
Divulgação - 20.02.2016
Preferido do governador Geraldo Alckmin, ele disputa as prévias do PSDB no próximo domingo

Pré-candidato do PSDB ao governo paulistano, Doria, nos últimos meses, insistiu na tecla, em encontros com os tucanos, de que não tem nenhuma mancha na carreira que possa ser usada pelos adversários políticos. E, como bônus, pode levar sua experiência na esfera privada para a Prefeitura, dando o dinamismo que tanto os eleitores cobram do poder público.

Preferido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ele disputa as prévias do PSDB no próximo domingo com dois “velhos” políticos  do ninho:  o vereador Andrea Matarazzo e o deputado federal Ricardo Tripoli. “Existe de fato um sentimento de descontentamento com os políticos que estão aí. Durante a eleição, (o fato de não ser desse meio) será válido”, diz Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da PUC-SP.

Nas visitas à periferia e a diretórios do PSDB, Doria repetiu o discurso do seu mentor político: vai  “amassar barro” caso seja o indicado dos filiados do PSDB para concorrer ao cargo hoje ocupado pelo  prefeito Fernando Haddad (PT).

“O político que já está exercendo um cargo eletivo tem, além dos ‘pecados originais’, os ‘pecados próprios’. Existe essa vantagem para os novos candidatos, que só possuem os ‘pecados originais’”, completa Emmanuel Publio Dias, professor especialista em marketing político da ESPM. 

Além do apoio de Alckmin e dos secretários estaduais, Doria conta também com a simpatia do DEM, PPS e Solidariedade. O PSB, do vice-governador Márcio França, condicionou a manutenção da aliança à vitória de Doria nas prévias de domingo.

Análise:

Existe cansaço à imagem do político

No caso do cidadão, existe um cansaço em relação à imagem do político tradicional e isso é potencializado na medida em que a frustração do eleitorado tem crescido ano a ano. A maior dificuldade do político é romper essa barreira,  e há essa vantagem para os novos candidatos. Se os políticos em exercício estivessem satisfazendo os eleitores, então seria o contrário, a imagem do “novo” traria uma desvantagem. Se o discurso do “novo” do João Doria vai dar certo nas prévias, onde o perfil do votante é diferente, depende de como os eleitores do PSDB vão entender o significado da novidade. Ele tem um apoio forte, do Geraldo Alckmin, e pode ser associado a uma futura herança do governador.

Emmanuel Publio Dias, professor especialista em marketing político da ESPM