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Presidente do Senado Federal diz que prisão do ex-líder do PT na Casa foi tão rápida que ele não teve tempo para se defender

Agência Brasil

O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, em sua defesa ao ex-chefe do PT na Casa
Jonas Pereira/Agência Senado - 23-02-2016
O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, em sua defesa ao ex-chefe do PT na Casa


Na semana seguinte à soltura de Delcídio Amaral (PT-MS), o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que o ex-líder do governo federal na Casa “vai exercer o mandato na sua plenitude e na forma da Constituição federal”. O discurso foi feito em entrevista à imprensa, na manhã desta terça-feira (23). 

“É hora de o Senado ouvi-lo e saber o que ele tem a dizer", disse o senador, ressaltando que o petista teve sua prisão de forma "tão rápida e fulminante" que ele não teve tempo de manifestar sua defesa. Delcidio foi preso em novembro acusado de oferecer mesada ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada com a Justiça Federal.  

Na semana passada, a liderança do Partido dos Trabalhadores chegou a encaminhar à Secretaria-Geral da Mesa um pedido de substituição de Delcídio do Amaral na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) pelo senador Donizete (PT-TO).

O pedido deveria ter sido lido no Plenário da Casa até sexta-feira (19) passada, a fim de garantir a realização de uma nova eleição, já que oficialmente Delcídio ainda é presidente do colegiado. A leitura, no entanto, não ocorreu.

“Se o Delcídio vai falar e se vai continuar na CAE dependerá muito da decisão dele. É uma questão de foro íntimo. Ele terá de decidir”, acrescentou Renan Calheiros.

Senador Delcídio do Amaral (PT/MS) foi solto após mais de 80 dias preso
Geraldo Magela /Agência Senado - 23.6.15
Senador Delcídio do Amaral (PT/MS) foi solto após mais de 80 dias preso


João Santana
O presidente do Senado também comentou a prisão do publicitário João Santana: “Ele, que fez campanhas em vários países, deve ter tomado os cuidados necessários, pois qualquer dia poderia ser questionado. Espero que esclareça tudo. Isso será bom para a democracia [...] Espero por um depoimento esclarecedor".

Santana e a mulher, Mônica Moura, tiveram a prisão temporária decretada na 23ª fase da Operação Lava Jato, que investiga a relação do publicitário com a empresa Odebrecht. A empreiteira também é alvo de investigações da Polícia Federal e teria feito repasses financeiros de US$ 3 milhões a contas do marqueteiro no exterior.

João Santana e a esposa durante desembarque no Aeroporto de Cumbica, nesta terça-feira
Reprodução Globonews
João Santana e a esposa durante desembarque no Aeroporto de Cumbica, nesta terça-feira

Pauta prioritária
Calheiros, que continua realizando reuniões com os blocos partidários da Casa, adiantou que, na quinta-feira (25), anunciará uma pauta prioritária de consenso para as votações do semestre.

Segundo ele, o texto abrangerá “pontos controversos”, que não têm apoio do governo. Um deles é o projeto de lei de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) que retira a participação obrigatória da estatal na exploração dos campos do pré-sal.

De acordo com o peemedebista, a proposta deve ser votada ainda nesta semana. “Será um dos pontos controversos. É evidente que a matéria divide, conflita pontos de vista, mas o Brasil precisa muito dela. A Petrobras não tem condições de levar os investimentos adiante", apontou.

Ele disse ainda que, apesar das últimas reuniões com Dilma Rousseff, não conseguiu captar de modo conclusivo a avaliação da presidente sobre o assunto.