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Ministro da Casa Civil é rechaçado até por sua própria corrente no PT, a CNB, que tomou decisão unânime pela sua saída

Enquanto a presidente Dilma Rousseff acerta os últimos detalhes da reforma administrativa que pretende anunciar ainda nesta semana, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, tenta ainda se segurar no cargo apesar de ter sua interlocução política totalmente anulada, tanto com os partidos aliados, entre eles, o PMDB, quanto com membros de seu próprio partido que já retiraram apoio ao seu nome.

Na luta para se manter ministro, Mercadante, de acordo com interlocutores do governo, tem 'esperneado'. Na semana passada, o desenho da reforma, elaborado pela cúpula do governo com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previa a substituição de Mercadante por Ricardo Berzoini na Casa Civil. Esta hipótese, às vésperas do anúncio, ainda não é descartada.

Permanência de Aloizio Mercadante no governo tem se mostrado a cada dia mais insustentável
Charles Sholl/Futura Press - 5.8.15
Permanência de Aloizio Mercadante no governo tem se mostrado a cada dia mais insustentável

Conspiração

O esperneio do ministro produziu episódios que deixaram petistas irritados. Após a decisão da cúpula do governo de dar a pasta da Saúde ao PMDB, Mercadante teria ligado para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e feito considerações de que Berzoini teria sido o responsável pela articulação de sua queda. De volta, o ministro Chioro não teria aprovado as considerações de Mercadante.

A pasta deverá ser entregue ao deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), uma indicação que agrada o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A articulação acabou premiando o diálogo com as lideranças da Câmara, principalmente a interlocução com o líder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

Também foi esta interlocução, feita por Berzoini e por Giles Azevedo, chefe do Gabinete Pessoal de Dilma Rousseff, que garantiu ao governo dois resultados importantes nesta semana: a manutenção de 26 vetos da presidente nas sessões do Congresso, e a própria decisão da bancada do PMDB da Câmara de se manter na base e ainda indicar nomes para ministérios.

Unanimidade

A permanência de Mercadante no governo tem se mostrado a cada dia mais insustentável. Além de ser uma exigência de lideranças do PMDB que se recusam a conversar com o ministro nesta semana, a corrente interna do PT, a CNB (Construindo um Novo Brasil), da qual ele faz parte, chegou à conclusão em reunião ocorrida na terça-feira (22) de que sua permanência no Planalto comprometerá toda reforma a ser anunciada pela presidente.

A avaliação é unânime entre os integrantes da corrente, e o episódio envolvendo os ministros da Saúde e de Comunicações teria sido a gota d’água para pedir sua saída do Planalto e até mesmo do governo.

Conselhos

A expectativa era de que a presidente Dilma anunciasse a reforma nesta quarta-feira (23). No entanto, Lula, em reunião no Palácio da Alvorada, durante a tarde, aconselhou Dilma a conversar primeiro com o vice-presidente Michel Temer e com outras lideranças com PMDB, entre elas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Na segunda-feira, Renan disse à presidente que a interlocução teria que ser feita por meio da bancada no Congresso, ou seja, com o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A intenção de Lula é que as conversas prévias evitem mais conflitos com o maior aliado. Lula tem batido na tecla de que o apoio de Temer é fundamental ao governo e que Dilma tem que fazer movimentos de reaproximação com o vice.

A expectativa agora é de que a presidente anuncie as mudanças antes de viajar para os Estados Unidos, viagem prevista para esta quinta-feira.

Mercadante também passou a tarde no Alvorada. Além dele, estiveram presentes à reunião com a presidente, os ministro Berzoini, Edinho Silva (Comunicação) e Jaques Wagner (Defesa).