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Além do ex-petista, Sérgio Moro condenou Leon Denis Vargas Ilário, irmão de André, e o publicitário Ricardo Hoffmann no âmbito dos julgamentos apurados na Operação Lava Jato

Presidente do PT-PR por 4 anos foi condenado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Renato Araújo/Câmara dos Deputados - 01.08.2012
Presidente do PT-PR por 4 anos foi condenado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

O ex-deputado federal André Vargas, desfiliado do Partido dos Trabalhadores desde o final ano passado, é o primeiro político a ser condenado pela Justiça Federal no âmbito da Operação Lava Jato .

O juiz Sérgio Moro sentenciou Vargas, que chegou a ser presidente da Câmara dos Deputados e presidente do PT estadual do Paraná, a 14 anos e 4 meses de prisão, na condenação anunciada nesta terça-feira (22), na 13ª Vara Federal de Curitiba.

No texto, o magistrado afirma que a culpabilidade de Vargas pelos crimes investigados é grande. O ex-deputado foi condenado por receber propina do doleiro Alberto Youssef durante seu mandato na Câmara – entre 2007 e 2014 –, inclusive quando era presidente da Casa, entre 2011 e 2014.

Além dos crimes de corrupção, Vargas foi condenado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, crimes agravados pela postura do parlamentar quando era investigado. A condenação veio devido a irregularidade em contrato com a agência de publicidade Borghi Lowe para prestar serviços à Caixa Econômica Federal e ao Ministério da Saúde – propina de mais de R$ 1 milhão.

Devido a isso, o juiz Moro também condenou o publicitário Ricardo Hoffman, então dirigente da agência, a 12 anos e 10 meses de reclusão, e Leon Vargas, irmão do ex-parlamentar, a 11 anos e 4 meses de reclusão, por envolvimento no esquema.

Na sentença, Moro também cita a identificação de depósitos de mais de R$ 7 milhões a outra empresa de fachada de Vargas, demonstrando o envolvimento do ex-petista em outros esquemas de desvios. 

O magistrado ainda chama a atenção para o gesto feito por Vargas, repetindo outros petistas condenados e presos, de erguer o punho para o alto ao lado do então ministro do Superior Tribunal Federal Joaquim Barbosa para dar apoio aos colegas de partido, em fevereiro de 2014.

O juiz federal Sérgio Moro: julgamentos da Lava Jato começam a colocar políticos na berlinda
Alan Sampaio / iG Brasília
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Os irmãos Vargas e Hoffmann também foram condenados a pagamento de multas, em valores variados, baseados no montante de recursos desviados e na condição financeira de cada um dos réus.

André foi condenado a 280 dias-multa (pagamento proporcional a três salários mínimos por dia a serem pagos em até 360 dias – ou seja, mais de R$ 660 mil); Leon, a 160 dias-multa (fixadas em dois salários mínimos por dia); e Hoffmann, a 230 dias-multa (cinco salários mínimos).

A condenação de Vargas ocorre um dia após a de outro petista, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, condenado a mais de 15 anos de prisão, na segunda-feira (21).