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O presidente da Câmara teria recebido US$ 5 milhões para liberar a construção de dois navios-sonda da Petrobras; o senador Fernando Collor também foi denunciado

Cunha ficará fragilizado depois da denúncia de Rodrigo Janot
Agência Câmara
Cunha ficará fragilizado depois da denúncia de Rodrigo Janot

Foi protocolada na tarde desta quinta-feira (20), no Supremo Tribunal Federal, a denúncia do procurador Rodrigo Janot, da Procuradoria Geral da República (PGR), contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello também foi denunciado.

Cunha é acusado pela PGR de ter recebido propina de ao menos US$ 5 milhões para viabilizar a construção de dois navios-sondas da Petrobras,entre junho de 2006 e outubro de 2012.

Na denúncia, Rodrigo Janot pede a condenação de Cunha pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e da ex-deputada Federal Solange Almeida por ter participado de pressão pelo pagamento de valores retidos, incorrendo em corrupção passiva.

Além da denúncia, Janot pede a restituição de R$ 40 milhões para a Petrobras e R$ 40 milhões para a Administração Pública. O procurador-geral sustenta que Cunha obteve os valores para facilitar a contratação, junto ao estaleiro Samsung dos navios-sondas Petrobras 10000 e Vitoria 10000, sem licitação.

Cunha foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além do presidente da Câmara, Janot também pede a a condenação da ex-deputada Solange Almeida. Segundo o procurador-geral, Solange teria tido participação na suposta pressão feita por Cunha para receber propina no valor de US$ 5 milhões em troca da liberação da construção de dois navios-sonda da Petrobras, em 2006.

O nome de Cunha surgiu depois que o consultor Júlio Camargo, em depoimento de delação premiada realizado no dia 16 de julho, na Justiça Federal do Paraná, acusou o presidente da Câmara de ter recebido US$ 5 milhões para liberar contratos da Petrobras anos de 2006 e 2007. O presidente da Câmara chegou a afirmar na época que o delator mentiu e o fez sob pressão do procurador-geral da República.

De acordo com Camargo, consultor ligado à empresa Toyo Setal, partiu do próprio Cunha a pressão do pagamento da propina, que o atual presidente da Câmara teria lhe pedido pessoalmente. Os dois contratos para a construção dos navios-sonda ultrapassam o valor de US$ 1,2 bilhão.

Na denúncia oferecida ao Supremo Tribunal Federal, Janot diz que para dar aparência lícita à movimentação das propinas acertadas, teriam sido celebrados dois contratos de comissionamento entre a Samsung e a empresa Piemonte, de Júlio Camargo. Foi das comissões desses contratos, que segundo Janot seriam uma fachada, que foram retirados os valores prometidos a Fernando Soares, conhecido como Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema. Segundo Janot, coube então ao então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, levar questão à Diretoria Executiva para aprovar os contratos.

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Ainda de acordo como a denúncia, A Samsung pagou os contratos em cinco parcelas, todas pagas no exterior, em transação total de US$ 40,3 milhões a Camargo. O consultor teria então transferido parte desse montante, por meio de uma offshore, a Piemonte, sediada no Uruguai, para contas indicadas por Baiano. Deriva daí a acusação de lavagem de dinheiro que pesa sobre Cunha, que teria ocultado o recebimento do dinheiro no exterior por meio de contas de empresas offshore e empresas de fachada.

Collor denunciado

O ex-presidente da República e hoje senador, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), também é alvo de denúncia da procuradoria-geral da República. A denúncia referente a Collor, entretanto, está sob sigilo. Isso porque, as delações que deram origem à denúncia oferecida ao STF estão sob sigilo. Até que as delações permaneçam sob sigilo, a denúncia também permanecerá sigilosa.

Em 14 de julho, agentes da Polícia Federal estiveram no apartamento funcional de Collor cumprindo mandado de busca e apreensão. Os mandados eram referentes a seis processos instaurados no STF a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato. Segundo a procuradoria-geral da República, Collor teria recebido R$ 26 milhões entre 2010 e 2014 como pagamento de propina por contratos firmados pela BR Distribuidora, no esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato.

Dilma evitou comentar o caso

Tão logo saiu a denúncia, logo após o evento com a chanceler alemã Angela Merkel, a presidente Dilma Rousseff foi questionada e evitou fazer comentários sobre a acusação formal da PGR: "Desculpa, mas a presidenta da República e o Executivo não fazem análise a respeito de investigações de maneira alguma, a respeito de outros Poderes."

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