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Para mudar o clima, presidente intensificará viagens e diálogos nos Estados, com Congresso e com movimentos sociais

Milhares se reúnem contra o governo de Dilma Rousseff na avenida Paulista, zona sul de São Paulo (16/08)
David Shalom/iG São Paulo
Milhares se reúnem contra o governo de Dilma Rousseff na avenida Paulista, zona sul de São Paulo (16/08)

O governo evitou fazer em público um dimensionamento sobre as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, ocorridas no último domingo (16), e optou por repetir, como mantra, o reconhecimento do caráter democrático dos protestos.

O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva, disse nesta segunda-feira (17), que o governo tentará focar na construção de um quadro de “otimismo” que possa substituir o caráter pessimista manifestado nas ruas.

“Foram importantes, não interessa o número”, disse o ministro. “O fundamental para nós, o centro da nossa agenda, é que o governo lidere as tentativas de superação das dificuldades”, disse o ministro. ]

“Um governo democrático tem que conviver com manifestações. Eu, pessoalmente, não concordo com agenda colocada pelas ruas do ponto de vista ideológico”, disse Edinho Silva.  “O mais importante, como eu já disse, é que possamos quebrar este clima de pessimismo que existe no país. Estamos passando por momento de dificuldades e estamos trabalhando e temos a certeza que este período superado em breve”, disse o ministro, após participar da reunião da coordenação política, com a presidente, no Palácio do Planalto.

O ministro informou que a presidente continuará investindo em uma agenda de viagens e inaugurações como formar de dialogar com as pessoas, empresários, movimentos sociais nos Estados. A estratégia de percorrer os Estados faz parte do conjunto de “agendas positivas” que o governo vem tentando imprimir como forma de resgatar a imagem da presidente e da própria gestão.

“Pé na estrada”, disse o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). “Às vezes fica difícil dialogar com as ruas, mas o governo tem que dialogar com 200 milhões de brasileiros”, ponderou Guimarães, ao final da reunião.

Pauta prioritárias

Além disso, o governo definiu nesta manhã as prioridades da pauta no Congresso. Na Câmara, duas pautas foram consideras importantes e o governo vai trabalhar para evitar que a Câmara crie mais despesas.

Uma delas é a que trata da correção do FGTS. Outro ponto que terá atenção redobrada do governo na Câmara é a PEC 172, que estabelece uma nova divisão de receitas entre União, Estados e municípios.

No Senado, o governo decidiu destacar a “Agenda Brasil”, proposta pelo presidente da Casa, Renan Calheiros e a prioridade da semana é a aprovação da proposta que trata da “reoneração” da folha de pagamento, item do pacote fiscal proposto pelo governo no início do ano, além do projeto que trata da repatriação de recursos de brasileiros no exterior.

Intolerância com o PT

Edinho Silva e os líderes do governo na Câmara, José Guimarães, e no Congresso, José Pimentel (PT-CE), falaram em intolerância ao analisar os ataques ao PT e a petistas durante as manifestações.

“O dia em que um eleitor do Jair Bolsonaro me aplaudir, estarei muito mal na política”, disse Pimentel, referindo-se aos xingamentos que sofreu no Ceará. “Essa intolerância não é saudável”, comentou Guimarães.

“É óbvio que estamos num momento de intolerância política, religiosa, cultural. É um momento difícil da vida brasileira em que temos que trabalhar para desfazer esse ambiente de intolerância. O Brasil sempre conviveu com a diversidade cultural religiosa, regional e com a diversidade política. Temos que combater esse ambiente que está sendo criado para que Brasil volte a ter aquilo que sempre foi a sua tradição, que é a convivência democrática com a diversidade de pensamento, de expressão, de opções, de diversidade cultural e religiosa", disse o ministro.

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