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Em nota divulgada nesta sexta, governo afaga PMDB e busca isolar decisão de Cunha de romper com o Executivo

Eduardo Cunha:
Alex Ferreira/ CÂmara dos Deputados
Eduardo Cunha: "O presidente da Câmara a partir de hoje é oposição"

Em nota divulgada nesta sexta-feira (17), a presidência da República manifesta esperança de que o rompimento anunciado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o governo não se espalhe pelo PMDB. A presidência da República destacou a parceria entre PMDB e PT desde a gestão do ex-presidente Lula e afirma que a posição de Cunha é “estritamente pessoal”.

“O governo espera que esta posição não se reflita nas decisões e nas ações da Presidência da Câmara que devem ser pautados pela imparcialidade e pela impessoalidade”, diz a nota.

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“Os Poderes devem conviver com harmonia, na conformidade do que estabelecem os princípios do Estado de Direito. E neste momento em que importantes desafios devem ser enfrentados pelo País, os Poderes devem agir com comedimento, razoabilidade e equilíbrio na formulação das leis e das políticas públicas”, completa o texto.

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A nota ainda responde às insinuações de Cunha, que na noite desta quinta-feira, afirmou que a delação de Júlio Camargo foi feita sob pressão do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Para Cunha, haveria uma orquestração entre Janot e o governo para constrangê-lo e ao Legislativo.

“O Governo sempre teve e tem atuado com total isenção em relação às investigações realizadas pelas autoridades competentes, só intervindo quando há indícios de abuso ou desvio de poder praticados por agentes que atuam no campo das suas atribuições”, afirma a nota do Planalto.

O governo destacou na nota a atuação conjunta da Receita Federal no andamento das investigações realizada pela operação Lava Jato. “A própria Receita Federal esclarece que integra a força-tarefa que participa das investigações da operação Lava Jato, atuando no âmbito das suas competências legais, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal seguindo determinações dos órgãos responsáveis pelas investigações”.

O documento também faz um afago no PMDB e diz esperar que a parceria com o partido não seja maculada pela reação do presidente da Câmara dos Deputados. “Desde o Governo do Presidente Lula e durante o Governo da Presidente Dilma Rousseff, o PMDB vem integrando as forças políticas que dão sustentação a esse projeto que vem transformando o País. Tanto o Vice-Presidente da República como os Ministros e parlamentares do PMDB tiveram e continuam tendo um papel importante no Governo”, diz a nota.

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