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Presidente da Câmara dos Deputados acusa delator de mentir sob pressão de procurador-geral da República em suposta orquestração do Executivo contra o Legislativo

O presidente da Câmara do Deputados, Eduardo Cunha:
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara do Deputados, Eduardo Cunha: "Desafio o delator a dar provas"

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reagiu às acusações feitas pelo consultor Júlio Camargo em depoimento de delação premiada realizado nesta quinta-feira (16), na Justiça Federal do Paraná.

Segundo Camargo, Cunha teria recebido US$ 5 milhões para liberar contratos da Petrobras anos de 2006 e 2007. O presidente da Câmara afirmou que o delator mentiu e o fez sob pressão do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

“O procurador-geral. Ele ameaçou publicamente”, declara Cunha. “O delator foi obrigado a mentir e acho muito estranho ser na véspera do pronunciamento que estou citando e uma semana em que a parte do poder Executivo envolvida no cumprimento dos mandados judiciais tenha agido com aquela fanfarronice toda. Ou seja, há um objetivo claro de constranger o Poder Legislativo e que pode ter o Poder Executivo por trás em articulação com o procurador-geral da República”, diz.

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Cunha questionou a validade da delação feita por Camargo na primeira instância. “Essa delação dele não existe, é nula. Ela foi homologada por autoridade incompetente. Se eu faço parte da delação dele, não é o juiz que poderia homologá-la”, afirma, que acrescenta estar disposto a voltar à CPI da Petrobras para falar do tema.

“Se for necessário, estou à disposição”, resume. “Faço olho no olho com quem quiser. Quem não deve não teme e ele está mentindo. E o delator tem de provar a sua mentira. O ônus da prova é de quem acusa”, desafia o presidente da Câmara dos Deputados. “Efetivamente é tudo ilação. Ele não fala fato concreto. Dizer que me encontrou, já tinha dito em vários locais que me encontrou e o teor era outro”.

O deputado questionou o desmentido de Camargo e diz que isso seria suficiente para que o delator perdesse o benefício oferecido pela Justiça. “Qualquer coisa que seja versão que está sendo atribuída é mentira e é mais um fato falso. Até porque, esse delator, se ele já está mentindo desmentindo o que ele delatou, por si só já perde o direito a sua delação. Ele mesmo está mentindo”, afirma.

Ele manifestou avaliar com estranheza a operação da Polícia Federal que deflagrou uma operação para cumprir 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. ”Não discuto o mérito do cumprimento dos mandados, o mérito do mandados. Discuto que a decisão era fazer com discrição e fizeram questão de fazer um estardalhaço com helicóptero em prédio de senador”, diz.

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