Tamanho do texto

Deputados federais e senadores da bancada do partido se encontraram com ex-presidente para definir rumos da sigla

Lula ao lado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, em reunião em Brasília, nesta segunda-feira
Valter Campanato/Agência Brasil
Lula ao lado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, em reunião em Brasília, nesta segunda-feira

Deputados e senadores das bancadas do PT no Congresso Nacional fizeram um acordo para que nenhum dos participantes da reunião com o ex-presidente Luís Inácio da Silva entrasse nela com seus celulares. O encontro foi realizado a portas fechadas em Brasília, na noite desta segunda-feira (29).

Leia mais:
Sem Dilma, Lula se lança como alternativa para tirar PT da crise
"Eu não respeito delator", diz Dilma em discurso nos EUA

Lula teria ficado reticente com a presença dos aparelhos telefônicos após pesadas críticas feitas por ele contra o governo Dilma Rousseff, durante encontro com lideranças religiosas, terem ganhado ampla repercussão na imprensa. Assim, o acordo para a reunião desta segunda-feira serviria para deixá-lo "mais à vontade", justificaram alguns parlamentares. 

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Desavisado, o senador Jorge Viana (PT-AC) entrou na sala da reunião falando ao celular, e acabou sendo repreendido por uma funcionária que lhe pediu para respeitar o combinado anteriormente com os colegas. O parlamentar respeitou prontamente o pedido.

Os aparelhos foram colocados dentro de um saquinho, cada um identificado com o nome de seu respectivo dono. Eles foram guardados em outra sala, à qual os parlamentares só teriam acesso ao fim da reunião. 

Rumos do partido
Repercutida na imprensa no domingo (28), a reunião tem o objetivo de discutir os rumos do partido e como a sigla se comportará diante do governo após a divulgação das denúncias de delação premiada feitas pelo diretor da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, a respeito de supostas doações, inclusive ilegais, ao PT durante campanhas eleitorais.

A ideia é também a de traçar estratégias para sair da crise de imagem que foi agravada diante das críticas feitas pelo ex-presidente ao governo, na semana passada.

Os petistas querem de Lula uma orientação de como devem agir em relação à política econômica. De acordo com alguns parlamentares, já há muitas críticas dentro do partido ao que chamam de "ajuste pelo ajuste". Existe uma resistência entre muitos de apoiar as medidas tomadas pela presidente Dilma no pacote fiscal.

Leia também:
Ministro minimiza críticas de Lula ao PT e diz que partido está coeso
Empreiteiros da Lava Jato chamavam Lula de "brahma"

Um dos argumentos é que, nos próximos dois meses, o País poderá gerar um milhão de desempregados. E os petistas não têm a intenção de defender essa política.

Mais cedo, o deputado Afonso Florence (PT-BA) ponderou que "o PT quer continuar com a política de geração de emprego e renda". "Com certeza, isso será discutido na reunião", disse o parlamentar ao iG .

Florence ainda afirmou que a reunião com Lula serviria para muitos outros assuntos, incluindo assinar o discurso para que o partido se defenda do que chamou de "vazamentos seletivos da Operação Lava Jato".

Após a reunião, havia a previsão de que Lula jantasse com algumas lideranças na casa do deputado Beto Faro (PT-PA). A expectativa era de que o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, falasse com a imprensa. 

    Leia tudo sobre: lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.